segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Estrutura da Missa Tridentina (Parte I)





A Santa Missa

O fiél tem que ter em mente que o sacrifício da missa é o sacrifício da cruz. Nela Nosso Senhor está sendo pregado na cruz e oferecendo Seu Sangue a Deus, Seu Pai, por nossos pecados.

O padre chega ao altar, faz a reverência devida, fazendo uma leve inclinação ou uma genuflexão, caso o Santíssimo Sacramento esteja presente.



SALMO JUDICA ME

Após o sinal da cruz o padre diz a antífona: Introibo ad altare Dei, que precede o Salmo 42, e em seguida começa o salmo. Este salmo foi escolhido por causa do versículo Introibo ad altare Dei – Eu me aproximo do altar de Deus, salmo muito conveniente para abrir o Santo Sacrifício.

O versículo que serve de antífona mostra que Davi ainda era muito jovem quando compôs este canto à glória do Senhor, pois, ao dizer que avança ao altar de Deus, acrescenta: Ad Deum qui laetificat juventutem meam – Ao Deus que é a felicidade de minha juventude. A santa Igreja não quer que diga esse salmo na missa dos defuntos, porque estamos suplicando pelo o sufrágio de uma alma, cuja partida deixa tristeza e saudades. Também no tempo da Paixão a Santa Igreja está ornada com os sofrimentos de seu Esposo, e não pensa em se alegrar.

CONFITEOR

É uma recitação que a Igreja faz para apagar os pecados veniais quando se tem a contrição. Deus, em sua bondade, quis que outros meios, além do sacramento da Penitência, pudesse apagar os pecados veniais e, para isso, inspirou à Sua Igreja o uso dos sacramentais.

O padre começa e se acusa primeiramente diante de Deus. Mas parece dizer: “ Não apenas quero me confessar a Deus, mas também à Virgem Maria e a tudo que é santo, a fim de que todos aqueles aos quais me confesso peçam perdão por mim e comigo”. Ele não pecou contra Nossa senhora, mas pecou diante dela. Passa em seguida ao Arcanjo são Miguel, preposto  à guarda de nossas almas, principalmente na hora da morte. Igualmente a são João Batista, que Nosso Senhor tanto amou e que foi seu precurssor, depois a São Pedro e São Paulo, os príncipes dos Apóstolos.

Enfim, o padre se dirige também, nessa confissão, a todos aqueles que estão à sua volta, acrescentando: ... et vobis, fratres ... – e a vós irmãos; porque, humilhando-se como pecador, não somente se acusa diante daqueles que já são glorificados, mas também diante de todos os que estão presentes.

Para exprimir que caiu porque quis, por três vezes dita estas palavras: mea culpa; e para testemunhar como o publicano do Evangelho seus sentimentos de penitência, bate no peito três vezes, ao mesmo tempo em que diz que pecou por sua culpa. Sentindo a necessidade de receber o perdão, volta-se para as criaturas glorificadas diante das quais é acusado, invoca-as e lhes pede, assim como a todos os presentes, que roguem por ele.

Os ministros respondem ao padre acrescentando: Amém.Este desejo é uma súplica à misericórdia de Deus pelo celebrante.

Mas os ministros tem necessidade de perdão; por sua vez, eles fazem, com a mesma fórmula, a confissão de suas faltas: não aos seus irmãos, et vobis fratres, mas ao padre, Et tibi, Pater.

INCENSAÇÃO

O altar representa Jesus Cristo. As relíquias dos Santos que se encontram sobre o altar nos lembram que os santos são membros de Jesus Cristo. Porque, depois de ter tomado nossa natureza humana, não somente Nosso Senhor sofreu sua paixão, triunfou na Ressurreição e entro na glória pela ascenção, mas também findou sua Igreja, sendo a cabeça do Corpo Mistico, e todos os santos são seus membros, sendo assim, Nosso Senhor só está completo se for acompanahdo pelos seus santos, que estão com Ele na Glória, devem estar unidos a Ele no altar que O representa.

Duas incensações terão lugar durante o Santo Sacrifício. Na primeira o padre fará a incensação sem acompanhamento de oração;  primeiro incensa o altar para perfumá-lo por inteiro. Vemos, no Levítico, que o incenso serviu ao culto ao Senhor. A benção que o incenso recebe do padre, na missa, eleva esse produto da natureza à ordem sobrenatural.

A Santa Igreja toma essa cerimônia do próprio Céu, onde São João a contemplou. Em Apocalipse ele vê um anjo com o turíbulo de ouro junto ao altar do Cordeiro, cercado pelos 24 anciãos. Mostra-nos  este anjooferecendo a Deus as preces dos santos representadas pelo incenso.

Neste momento da missa, só o altar e o padre são incensados: a incensação dos fiéis e´reservada para a segunda vez. È costume a Santa Igreja expor sobre o altar imagens de santos e relíquias, que também recebem o incenso.

INTRÓITO

Terminada a cerimônia da incensação, o padre diz o Intróito.

O padre, assim como o coro, faz o sinal da cruz começando o Intróito, porque esta peça é considerada o começo das leituras. Nas missas de defuntos, ele se contenta em fazer o sinal da cruz sobre o livro.

KYRIE

Em seguida, vem o Kyrie, esta prece é um brado pelo qual a Santa Igreja implora às Pessoas da Santíssima Trindade. As três primeiras invocações se dirigem ao Pai, que é o Senhor: kyrie, eleison; as três dirigem-se ao Filho encarnado, ao Cristo, e dizemos: Criste, eleison; enfim, as três ultimas dirigem-se ao Espírito Santo, senhor com o Pai e o Filho, e por isso repetimos: kyrie, eleison – Senhor com o Pai e o Espirito Santo, mas a Santa Igreja emprega para ele a palavra Cristo, Criste, por causa relação desta palavra com a encarnação.

GLORIA IN EXCELSIS

Este canto é dos mais antigos da Santa Igreja, remonta certamente ao começo da Santa Igreja, e é encontrado em todos  os missais da Igreja no Oriente. Os próprios anjos o entoam, a Santa Igreja continua as palavras dos anjos, conduzidas pelo mesmo Espírito.

Gloria in excelsis Deo, et in pax hominibus bonae voluntatis – Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Tais são as palavras dos anjos: para Deus a glória, para os homens, que eram outrora filhos da cólera, paz e bênçãos de Deus.

A Igreja acrescenta: laudamos te, nós Vos Louvamos. Benedicimus te, nós  Vos bendizemos. Glorificamus te, nós Vos rendemos glória por nos terdes criado e resgatado.

Gratias agimus tibi propter magnam glória tuam, nós vos damos graças  por causa de Vossa grande glória. Deus encontra sua glória em nos fazer o bem (a Encarnação é o maior bem que fez ao homem).

Domine Deus, Rex caelestes, Deus Pater omnipotens. A Santa Igreja aqui primeiramente teve em vista a unidade em Deus; agora considera a Trindade, vendo antes de tudo, a Pessoa que é o princípio, fonte das outras duas, exclama: Deus Pater omnipotentens – Deus Pai todo poderoso.

Em seguida volta  para o seu Esposo, chama-O Senhor: Domine, Fili unigenite – Senhor, Filho único; acrescenta o nome humano: Jesu Christe.. Mas não esquece que ele é Deus, confirmando expressamente:  Domine Deus, Agnus Dei, Filius Patris. Seu Esposo é Deus, é também o Cordeiro de Deus.

Qui tolis peccata mundi. E exclama: Filius Patris; lembra que seu Esposo carrega os pecados do mundo. Miserere nobis, tende piedade de nós. Suscipe deprecationem nostram, recebei, pois, agora, nossa prece.

Qui sedes ad dexteram Patris. Após carregar os pecados do mundo; agora se lança e penetra até a direita do Pai, onde vê Aquele que é o objeto de seus louvores. E acrescenta: Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus, Jusu Christe – Ó Jesus Cristo, só vós sois Santo, só vós o Senhor, só vós o Altissimo.

Cum Sancto Spiritu, in glória Dei Patris – com o Espírito Santo, na glória do Pai.

COLETA

Coleta vem do latim colligere, recolher, reunir. Aqui a Santa Igreja reclama atenção, porque o padre vai pronunciar a Coleta, esta oração onde recolhe os votos da assistência e apresenta a Deus seus pedidos.

Além disso, o padre se volta nesse momento para o povo, o que não fez antes de subir para o altar. Depois de ter tomado a paz do Senhor beijando o altar, anuncia à assistência, tomando-a toda inteira nos braços estendidos.

O padre deve ter os braços estendidos para dizer a coleta, observando nisto o modo antigo de rezar dos primeiros cristãos. Da mesma for ma que Nosso  Senhor rezou na cruz, com os braços estendidos, os primeiros cristãos se dirigiam a Deus estandendo os braços.

EPÍSTOLA

Depois da Coleta e das outras orações que, muitas vezes, são acrescentadas com o nome de memórias, vem a Epístola, que é sempre uma passagem das Epístolas dos Apóstolos, e algumas vezes de outro livro da Sagrada Escritura.

GRADUAL

Entre a Epístola e o Evangelho canta-se o Gradual. Compõe-se de um responsório com seu versículo, é a parte mais musical do ofício e, como o canto era muito delicado, nunca era admitidos mais de dois cantores que subiam no púlpito para cantá-lo. Púlpito é um tipo de cátedra de mármore colocada na Igreja. E, precisamente por causa dos degraus que é preciso subir, esta peça recebeu o nome de Gradual, assim como são chamados salmos graduais os que os judeus cantavam subindo os degraus do templo.


 ALELUIA – TRATO

Ao gradual sucede o Aleluia ou o Trato, conforme o tempo do ano. O Aleluia é um canto de louvor a Deus por excelência, devia ter seu lugar na Santa Missa. Ele tem qualquer coisa de tão alegre e, ao mesmo tempo, de tão misterioso, que nos tempos de penitência não é cantado, é substituído pelo Trato.

O Trato se compõe algumas vezes de algum salmo inteiro; ordinariamente, só contem alguns versículos.

SEQUÊNCIA

Em algumas solenidades, acrescenta-se ao Aleluia ou ao Trato o que se chama Sequentia, que significa continuação.

Consistia primitivamente em um texto que acrescentava às notas melódicas que seguiam à palavra Aleluia e que já chamavam de Sequentia, antes da invensão desta parte da missa.

EVANGELHO

Enquanto os diferentes cantos são entoados, o diácono toma o livro dos Evangelhos e o põe sobre o altar, porque o altar representa Nosso Senhor, marcando assim a identidade que existe entre o Verbo de Deus, que se escuta no Evangelho e Nosso Senhor.


CREDO

Ao Evangelho sucede o Credo.O fim proposto pela recitação do Credo  é levar os fiéis a confessar a fé. Como sua fé está baseada no Santo Evangelho, o Credo se segue imediatamente à leitura da Palavra Sagrada É conveniente que os fiéis façam sua profissão de fé contra as heresias.

OFERTÓRIO

Depois do Símbolo da Fé que foi cantado por todos os fiéis, o padre beija o altar antes de se voltar para o povo, porque antes de se voltar para os fiéis ele quer lhes enviar o ósculo do Cristo, e o Cristo é representado pelo altar.

Vem então a leitura do ofertório, o padre, recebendo a patena e oferecendo a hóstia diz a oração: Suscipe, sacte Pater – recebei, Pai Santo.

INCENSAÇÃO

Já vimos que o altar representa Nosso Senhor. Isso explica porque é tratado com tantas honrarias. Oresto do templo representa os membros do Corpo de Místico, quer dizer, os fiéis, cuja reunião compõe a Santa Igreja, esposa de Jesus Cristo, da qual Nosso Senhor é a cabeça.


LAVABO

Enquanto se incensam o coro e os fiéis, o padre lava as mãos. Essa cerimônia é colocada nesse momento porque o padre acabou de tocar no turíbulo, o que sempre deixa algum resíduo nas mãos por causa da fumaça e também exprime o mistério da necessidade de o padre se purificar sempre mais, à medida que avança no Santo Sacrifício. Assim como Nosso Senhor lava o pé dos Apóstolos antes de instituir a Eucaristia e lhes dar a Santa Comunhão.

GUÉRENGUER, Prosper, A Missa Tridentina: explicações das orações e das cerimônias da Santa Missa; (tradução Anna Luíza Fleichman): Permanência, 2010.