segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Dinheiro e Sacramentos? Caro Papa BERGOGLIO, proteste contra as decisões desconcertantes dos Bispos alemães (como bem fez Ratzinger) ao invés de denegrir nossos párocos. Aqueles sim que são uma vergonha!

Kirchensteuer- Outro clássico exemplo de "coa-se um mosquito e engole um camelo". Mateus 23:24 ( tradução do novo artigo de Socci com citação do seu livro)‏

 
 
21 de novembro de 2014 / Antonio Socci. Tradução: Gercione Lima.

A denúncia de hoje do Papa Bergoglio contra "o escândalo do comércio" no templo suscitou clamor:

"Eu penso no escândalo que podemos provocar nas pessoas com o nosso comportamento - enfatizou o Papa Francisco - com os nossos hábitos não sacerdotais no templo: quantas vezes ao entrarmos numa igreja, ainda hoje, deparamos ali com uma lista de preços, "para batismo, para a bênção,  para as intenções da missa. "E o povo fica escandalizado."

Eu não sei se isso existe na Argentina, mas francamente na Itália eu nunca vi uma igreja com uma lista de preços.
 
E o cardeal Bagnasco rebateu com propriedade durante a tarde, que os sacramentos não são vendidos, que nas igrejas italianas não existem tabelas de preços e que as ofertas livres dos fiéis são utilizadas para sustentar materialmente a igreja, como é justo que se faça. 
 
É claro que a denúncia do Papa sublinha uma questão verdadeira (a da gratuidade da graça e portanto, dos sacramentos), mas nos termos que foram usados, corre o risco de soar como uma difamação dos pobres párocos ...
 
Ao invés disso, eu gostaria de indicar ao Papa Bergoglio um caso muito mais desconcertante de mau relacionamento entre dinheiro e sacramentos que diz respeito à Igreja na Alemanha.
 
Na época de Bento XVI, a Santa Sé se opôs às decisões dos bispos alemães.  Creio que seria o caso do Papa Bergoglio se ocupar desse problema, ao invés de expor ao constrangimento nossos pobres párocos.  
 
Além disso, ele conhece bem o Episcopado alemão, porque foram exatamente esses bispos muito progressistas, seus principais aliados no Conclave e os maiores defensores das teses de Kasper durante o Sínodo.
 
Eis aqui, em uma página do meu livro "“NON E’ FRANCESCO",  um relato do que acontece na Alemanha:

Com todo o respeito à  tão aclamada "Igreja dos pobres", eu diria que a Igreja na Alemanha é uma verdadeira potência econômica, pois usufrui de enormes receitas do governo, devidas à Kirchensteuer, ou seja, o imposto ou taxa eclesiástica, que só no ano de 2012 canalizou 5,9 milhões de Euros para os seus cofres.
 
Para entender melhor isso, é uma cifra seis vezes maior do que os "oito para cada mil" que recebe a Igreja italiana, muito embora a Igreja alemã seja composta apenas por 24,3 milhões católicos (menos da metade da Itália).
 
Até o o mecanismo é diferente. Na Alemanha – apesar da tão decantada separação entre igreja e estado pelos progressistas- a Kirchensteuer é uma taxa real que é imposta àqueles que se declaram como Católicos  (como ocorre também com os Protestantes em benefício da Igreja Evangélica).
 
Justiça e respeito pela liberdade aconteceria se fosse um imposto ao qual o fiel livremente se propõe a pagar, mas ao contrário,  se tornou quase uma espécie de "supersacramento", superior até mesmo ao batismo, porque o imposto e a pertença à Igreja se tornaram sinônimos e só é possível se eximir do imposto se a pessoa decidir sair da Igreja com a gravíssima consequência de ser declarado como apóstata e ser excluído dos sacramentos (incluindo até mesmo o funeral na igreja).
 
"Um decreto da Conferência dos Bispos da Alemanha estabeleceu que a recusa em pagar a  Kirchensteuer  implica para o fiel em sua diminuição na pertença à Igreja”. 
 
Esta posição inédita foi contestada pela Santa Sé  (pelo menos nos tempos de  Ratzinger) e é particularmente desconcertante, porque isso ocorre  "ao mesmo tempo que a maioria do Episcopado alemão está pressionando por uma igreja "misericordiosa" e "aberta ao mundo", reinvindicando comunhão para divorciados novamente casados, abolição do  celibato sacerdotal,  afrouxamento das "restrições"  com relação à ética sexual etc ... "
 
O filósofo Robert Spaemann, amigo de Joseph Ratzinger, observou que na Alemanha "homens que negam a ressurreição de Cristo permanecem como professores de teologia católica e podem pregar como Católicos durante as missas. Já aqueles fiéis que se recusam a pagar a taxa para o culto são expulsos da Igreja. Há algo de muito errado com isso". 
 
 

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