quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Comemoração dos Fiéis Defuntos





2 DE NOVEMBRO


Depois de se ter ontem alegrado por causa dos seus filhos que entraram na glória do Céu, a Igreja pede hoje por todos aqueles que, nos sofrimentos purificadores do Purgatório, esperam o dia em que poderão associar-se à assembleia dos santos. Nunca, em toda a sua liturgia, se afirma de modo mais vivo a misteriosa unidade que existe entre a Igreja triunfante, a Igreja militante, e a Igreja padecente. Jamais se cumpre de modo mais palpável o duplo dever de caridade e de justiça que é, para os cristãos, consequência de sua incorporação no Corpo Místico de Cristo. Em virtude do dogma tão consolador da comunhão dos santos os méritos e sufrágios de uns são aplicados a outros, a pedido da Igreja que, pela Santa Missa, indulgências, esmolas e sacrifícios de seus filhos, oferece a Deus os méritos superabundantes de Cristo e dos seus membros.


A celebração da Santa Missa, sacrifício do Calvário por nós continuado sobre os altares, foi sempre considerado pela Igreja como o principal meio de cumprir para com os defuntos a grande lei da caridade cristã. Já no século V havia missas dos defuntos. Mas a comemoração de Todos os Fiéis Defuntos deve-se a Santo Odilão, quarto abade de Cluny: foi ele quem a instituiu em 998, e a fixou no dia seguinte à festa de Todos os Santos. Esta prática breve se estendeu a toda a Cristandade.

O sacerdote suplica todos os dias a Deus, no cânon da missa, num momento especial em que recorda todos quantos dormem o sono eterno, que lhes conceda <<o lugar do refrigério, da luz e da paz>>. Não há, pois, missa alguma em que a Igreja não reze pelos defuntos; mas hoje o seu pensamento vai para eles de modo muito particular, com a maternal preocupação de não deixar nenhuma alma do Purgatório sem os socorros espirituais, e de as juntar todas numa só oração. Por privilégio que um decreto de Bento XV estendeu a todo o mundo, os padres podem hoje celebrar três missas: a Igreja multiplica, para livrar as almas do Purgatório, o oferecimento do sacrifício de Cristo, em que ela colhe, para todos os seus, os frutos infinitos da Redenção.


Fonte: Missal Romano Quotidiano – Dom Gaspar Lefebreve e os Monges beneditinos de Santo André.

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