sábado, 24 de novembro de 2018

O círculo esotérico: A comunhão do pensamento

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A medida que a fé vai diminuindo nas almas, a superstição se desenvolve nos espíritos. O homem não pode viver sem fé. Queira ou não queira, tem de acreditar em qualquer coisa.

Monsenhor Bougaud disse em qualquer parte: “O homem tem de curvar a fronte, e não querendo curvar-se diante de Deus, num gesto de adoração suprema, prostra-se diante de uma criatura, na atitude de um animal.

A nossa sociedade hodierna eleva-se a alturas fantásticas, pela inteligência que perscruta, analisa e inventa; mas, quando esta sociedade pretende emancipar-se de Deus, então, sim, desce de seu trono glorioso e envolve-se no mais nojento dos lamaçais.
O espiritismo é o ferrete da ignomínia que a decadência moral imprime sobre o nosso século de progresso material. É como o contrapeso do progresso, porque esse progresso, não se apoiando em Deus, e não se deixando guiar pela religião, torna-se um progresso materialista, exaltando a matéria e rebaixando o espírito.

O espiritismo é o anticristo moderno. Segue seu caminho, atacando e blasfemando, e, vencido num terreno, refugia-se noutro. Arrancando-lhe a “túnica”, com que se cobre um dia, reveste-se de outros farrapos, de modo a poder apresentar-se continuamente em trajes novos e aspectos renovados.

Uma destas “túnicas” novas é o círculo esotérico ou exótico. Veremos agora.


I. O que é o esoterismo


O tal círculo esotérico é um ramo do espiritismo, é o próprio espiritismo, que pretende atribuir aos homens um poder criador.

O espiritismo, pelos seus princípios, é deísta, quer dizer que admite a existência de Deus, mas não a providência de Deus.

Ultimamente, o espiritismo, pelo progresso que vai fazendo, progresso que prova apenas que é humano e não divino, cai no panteísmo,ou sistema que pretendem que Deus é tudo.
Desde que alguém se afasta da única verdade, vai caindo de erro em erro, pois a verdade é uma e os erros são muitos.

O círculo esotérico é como que o panteísmo da seita espírita. O seu princípio é que o homem, pela sua natureza íntima, é divino, ainda que sua divindade se conserve oculta pelo véu da carne.

Na doutrina católica, ensina-se que o homem é um composto de corpo e alma, de corpo material e alma espiritual, criada por Deus à sua imagem e semelhança.
Sendo a alma criada por Deus, é claro que a alma não é de Deus e nada tem de Deus, senão a semelhança espiritual.

O operário é necessariamente distinto d obra. O operário é Deus, a obra é nossa alma. Um deve, pois, ser distinto do outro.

Os amigos espíritas-esotéricos acham melhor confundir operário e obra  e dizer que tudo isso é Deus. O homem, segundo eles, é Deus oculto pelo véu da carne. A carne não passa de um vestido de Deus. Cada homem é um vestido de Deus.

Que bela invenção!! E vieram descobrir isso no século XX... Enfim, quem é incapaz de inventar a pólvora, inventa, pelo menos, um vestido para Deus. E Deus tem que revestir-se deste vestido, seja este a pele de um zulu ou de qualquer idiota, pele de um espírita ou de um turco.

Deste princípio esotérico, os aderentes tiram esta admirável conclusão, que copio textualmente do seu manual.

No futuro, a filosofia será alguma coisa mais do que ginástica mental; a ciência suprirá o materialismo; a religião será anti-sectária; o homem amará seu próximo com toda justiça e amará o seu irmão como a si mesmo, não porque espere recompensa, ou tema uma punição post mortem, ou pelas leis humanas, mas somente porque reconhecerá que ele é uma parte de seus semelhantes e que eles e os seus semelhantes são partes de um todo e que o todo é UNO”.

Como se vê o homem vai subindo... No princípio era um véu de Deus, um vestido de Deus, agora ja é um pedaço do próximo; e ele com todos os próximos são  o próprio Deus.
Vê-se logo que tudo é panteísmo. O espírita é deísta; o esotérico, panteísta.



II. O fim do esoterismo


O fim do esoterismo é um juntar um pedaço de Deus a outros pedaços de Deus que são os homens, e, pela reunião destes diversos pedaços, construir o Deus completo. Deus, assim dividido em partes, perde naturalmente a sua força total, como tudo o que é dividido. È preciso juntar e unir estas partes, para deste modo ter um Deus completo.

E como fazer isso? É muito simples, dizem eles. Estabelece-se a comunhão do pensamento. O pensamento, para os esotéricos, é a força da alma.

Por meio desta força interior, dizem eles, e só eles o poderiam dizer, porque um homem sensato  sentiria arrepios em dizer tais absurdos. Por meio desta força interior, o homem vencerá a indolência, libertar-se-á da ignorância no reino da sabedoria! É mesmo admirável!... E seria sublime, se não fosse bobo demais.

Cada parcela de Deus que é o homem, - são sempre os mestres esotéricos que falam – é um pedaço de bôbo... mas todos estes pedaços de bôbo indolentes, ao juntarem-se, vão formar a força suprema, a força divina, o reino da sabedoria.

É o mesmo que dizer qua a reunião de cem analfabetos formará um corpo científico.
Pelo amor de Deus, caros esotéricos, deixem de asneriras; sejam, senão sábios, pelo menos, gente, e isto não é de gente.

A acumulação de zeros nunca dará um algarismo, como a comunhão de pensamentos nunca passará de pensamentos. O pensamento não é força, é uma noção, uma compreensão.


III. Mensagem da alma


Para que a idiotice seja aceita, é preciso dar-lhe um nome pomposo. Os espíritas usam esse proceder. Um epilético ou histérico, chama-se “médium”. Um ataque histérico ou nevropata é um “transe”. Uma fanfarronada sem nexo, uma “mensagem”.

E a reunião dos pensamentos de um certo número de nevropatas  chama-se de “mensagem da alma.” É preciso conhecer o vocabulário espírita que vale quase o dicionário maçônico.

Para receber tais mensagens da alma, o espiritista indica uma hora, recolhe-se, une seu pensamento ao pensamento desconhecido de outros espíritos, e pronto, lá vem a força, a luz, tal um radiograma através do espaço. Está feita a mensagem da alma!...

E ainda há idiotas que ainda acreditam nisso! Haveria mesmo! Eu duvido... Os espíritas evocam os mortos, fazem calar os vivos e falar o defunto.

Que fazer então? Nosso Senhor já o disse: stultorum infinitus est numerus – o número dos estultos é infinito (Eclesiástico). Os espíritas podem acabar na loucura, dando, deste modo, uma solene afirmação das palavras divinas.

Do mesmo modo que há loucos que acreditam serem imperadores, reis, generais,, o pobre esotérico, na hora marcada, através do espaço, em ondas silenciosas, imperceptíveis, julga receber o influxo do pensamento dos outros. É um pobre doente... É uma mania como qualquer outra.  ..


IV. Máscara do ocultismo


O fim do esoterismo é, como eles mesmo confessam, o estudo do ocultismo. Basta-nos esta indicação, para ver que o esoterismo não passa de uma grande superstição ridícula absurda e grosseira.

Escutem mais este pedacinho do manual esotérico: “O ocultismo levantou sempre, até onde permite o grau de adiantamento de seus iniciados, o véu que encobre os grandes mistérios do universo, cujas leis e força somente são conhecidas pelos grandes iniciados”.
Os esotéricos encontraram, enfim, a pedra filosofal, que muda as trevas em luz, a miséria em riquezas, a ignorância em sabedoria.

E para obter tudo isso não é necessário estudos, nem pesquisas, nem Deus, nem demônio. Basta mandar sua contribuição e pronto...

O céu abre-se, o horizonte recua, as trevas dissipam-se, o novo associado vive nadando em ouro, na luz, no amor, na fraternidade.

É o céu na terra!... É o céu para os exploradores esotéricos. Mas fica a terra para as pobres vítimas esfoladas. Coragem senhores, é preciso muita coragem!... Mas não desanimem: a coragem é transmitida em ondas etéreas, à vontade do esotérico.


V. A força criadora


O segredo esotérico é o seguinte: Em dado momento a gente recolhe-se e diz em voz alta e clara o que deseja e que não tem, mas diz isso como se realmente o tivesse. Por exemplo, estando na miséria, não tendo pão para os filhos que choram, nem trabalho para poder ganhar o pão de cada dia, o pobre dirá, virado para o oriente: “Eu sou um homem feliz, rico, nada me falta!...”

E este pensamento esotérico irá unir-se ao mesmo pensamento de outros esotéricos, na mesma condição, e estas forças individuais unindo-se, formarão uma força criadora, que logo aparecerá na mesa o pão suculento, na cozinha arroz e feijão, para o trabalhador, serviço e dinheiro. Não é belo isso?

Tal é a prática do esoterismo Como vê, o leitor, é uma prática de idiotismo, de espiritismo, de superstições, e nada mais; é uma prática que faz rir um homem de bom senso, como faz chorar o homem que acredita nesta prática.

Mas hoje o mundo é assim mesmo – quer ser enganado.


VI. A chave de harmonia


Descobrir a palhaçada é desmascará-la. É oque quero fazer com o tal centro esotérico, que é antes um centro zótico,(zote em castelhano significa pateta, idiota). Tal esoterismo é apenas a manifestação de um espírito de idiotismo, ou talvez de embrutecimento.
Encontramos nova prova do desequilíbrio no modo como a tal hora esotérica deve ser executada. A sociedade esotérica entrega aos seus iniciados um pequeno manual de instrução reservadas para o uso pessoal dos irmãos, o qual é a chave de harmonia...
A hora esotérica é às 18 horas. É a hora do plantio da semente mental ou psíquica, diz o manual. Interessante plantio!

É nessa hora que todos os zóticos se unem para, pelo pensamento zótico, construir uma força criadora!... Criando o zotismo.

“Este é um estado de abstenção completa (diz o manual) em que o indivíduo não dar a  menor atenção aos fenômenos que se dão dentro e fora de si.”

O livro continua: Assentai-vos: Assentai-vos comodamente... Relaxai a mente e o corpo           , fechai os olhos e ficai perfeitamente quietos por alguns minutos. Deixai vosso corpo amolecer por si mesmo e sem fazerdes esforço. Entrareis, assim, na paz e calma absoluta. Dizei então à Chave de harmonia (é o manual esotérico que fala). Eis a fórmula a recitar nesta doce atitude de idiotismo): “Desejo harmonia, amor, verdade e justiça, a todos os meus irmãos do círculo esotérico da comunhão do pensamento. Com a força reunida das silenciosas vibrações de nossos pensamentos, somos fortes sadios e felizes, formando assim um elo de fraternidade universal. Estou satisfeito, em paz com o universo inteiro e desejo que todos os seres realizem suas aspirações mais íntimas. Dou graças ao pai invisível por ter estabelecido a harmonia, o amor, a verdade e a justiça entre todos os seus filhos. Assim seja”.

Tal é a grande prece zótica. Recitando isso, não há mais males neste mundo. É uma espécie de cocaína que adormece a fome como o sofrimento. Não há mais Deus nem demo, só há o “pai invisível”, e este pai não é Deus, é a reunião de todos os iniciados de tal zotismo.

Pobre Deus! Pobre gente! Poderá um homem sensato tomar a sério tais superstições? Não pode. Infelizmente, há gente insensata, e para estes tal esoterismo, ou idiotismo, vale mais que religião e Deus porque é um produto de um cérebro desequilibrado e coitados daqueles que são desta categoria.

Há nesta prática um elemento de auto sugestão. Nada mais.Tal auto sugestão pode ser um estimulante, porém, nunca um princípio, nem uma semente, nem um estado, nem uma criação.

O pensamento pode nos estimular a agir... porém por si mesmo ele é estéril... longe de ser criador. É o grande erro, o absurdo dos “pensadores esotéricos”.


VII. O Panteísmo


Se a prática de tal comunhão do pensamento é sumamente ridícula, a fonte de onde ela brota é soberanamente ímpia. E este lado anti religioso e ímpio é o que convém salientar aqui, para mostrar as suas perversidade e suas consequências perversoras.

Tal prática é a emanação do panteísmo. O que é o panteísmo? É a doutrina de certos sonhadores que acreditam que tudo é Deus.

O demônio  tem vários caminhos que levam à sua torre de Babel, ou à mentira. Toma os homens em suas inclinações próprias e lhes apresenta uma religião que combine com suas tendências próprias. Desde que pode enganá-los e afastá-los da única verdade, está satisfeito, pouco importando como e por que meios.

Aos homens que creem em Deus ele apresenta o deísmo. Deus existe mas não se ocupa deste mundo.

Aos amigos das ciências positivas ele oferece o empirismo, fazendo acreditar que Deus, embora exista, não pode ser atingido, nem sequer conhecido.

Aos sensuais ele alicia pelo materialismo, que diz: Não há Deus só existe matéria.

Aos espíritos refletidos, filosóficos, que procuram ir mais além da matéria, ele apresenta a especulação do panteísmo, mostrando-lhes que Deus existe e que este Deus identifica-se com o universo, de modo que tudo é Deus.

Deste tronco falso e mentiroso brotaram dois ramos panteísticos, para satisfazer os sonhos de todos e afastar a todos da única verdade cristã: A teoria da emanação, que ensina que a substância divina irradia, emana com necessidade todas as coisas. A teoria da imanência, que atribui a Deus realidade, exclusivamente enquanto ele existe no mundo e pelo mundo.
É esta última teoria da imanência que o círculo esotérico adotou como fundamento de sua louca elucubração da comunhão do pensamento.  

Para eles cada pensamento é força, e esta força criadora é uma parcela de Deus, parcela diminuta, mas que adquire força pela junção de outros pensamentos.

Basta indicar esses erros grosseiros, para o bom senso refutá-los. Deus existe, é certo. Deus é o ser supremo, o criador de tudo o que existe. Ora o artista é distinto de sua obra.

Deus é eterno, perfeito, imutável, infinito; o mundo é finito, limitado, imperfeito, mutável. Deus não pode ser ao mesmo tempo infinito e finito, criador e criado, o que aconteceria se Ele não fosse distinto deste mundo. É erro grosseiro que repugna o bom senso. Como repugna a nossa consciência.

Apoiando-se sobre tal princípio, o círculo esotérico é, pois, um erro absurdo, uma prova da ignorância, uma loucura e um sinal de desequilíbrio, aliás, como o é o espiritismo inteiro.


VIII. Conclusão


O círculo esotérico da comunhão de pensamento é um dos ramos do espiritismo.; é uma espécie de introdução ao espiritismo. Todos os anos é publicado o Almanaque do Pensamento, que seria mais exato intitular o almanaque dos doidos. È um lengalenga de espiritismo, superstições, astrologia, de magia e de tudo que pode servir para semear no espírito humano a dúvida e o embrutecimento.

A acreditar em tais loucuras, tudo estaria determinado na vida, e o homem seria uma máquina inconsciente. Este mundo seria regido pela lua, e por isso os homens não passam de um bando de lunáticos. E seriam os espíritos que dirigiriam o sol e a lua... Pobre humanidade para onde vais?

Essas seitas supersticiosas normalmente costumam a divulgar a ideia que “não se põe em conflito com qualquer religião, seita, ou credo.

É a eterna camuflagem do demônio. Quer mostrar-se inocente, neutro, para melhor propagar o veneno e semear o ódio a Deus e à Sua santa Igreja.

Pode um católico entrar nesses centros esotéricos? Não pode, de nenhum modo. O círculo zótico é uma instituição perversa, anticristã toda baseada sobre a superstição e sobre o condenado espiritismo.

Longe pois, de nós, os círculos esotéricos, os escritos de tal centro, a sua revista do pensamento, esses grosseiros almanaques... pois tudo não passa de baixo e vergonhoso espiritismo.

A verdade é uma só. O espiritismo é condenado pela Igreja como anticristão, antissocial e antirreligioso. É uma verdadeira praga. Fujamos dele de qualquer forma que ele se apresente. Com fogo não se brinca!... Com loucos não se discute.


O Anjo das Trevas – Pe Júlio Maria




3 comentários:

  1. Esse autor tem problemas, até onde sei a igreja católica é a que mais conhece e usa poderes mágicos, quanta hipocrisia.

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    1. o (a) senhor (a) é que parace ter problemas em justificar sua posição. Apenas acusou e saiu, parece até que acredita nessas sandices de poder de pensamento e esoterismo

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