domingo, 16 de abril de 2017

Domingo da Ressurreição: Ao terceiro dia ressurgiu dos mortos...





O Apóstolo insinua: “Lembra-te de que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos (2 Tm 2,8)!” Não há dúvida, esta ordem dada a Timóteo se estende também a todos os mais que tenham encargo de almas.

Motivo. Para dar prova de Sua Divindade, não quis retardar a ressurreição até o fim do mundo. De outro lado, para crermos que era homem de verdade, e que realmente tinha morrido, não ressuscitou logo depois da morte, mas esperou até ao terceiro dia. Este intervalo Lhe pareceu suficiente para demonstrar a realidade de Sua Morte.


I. “segundo as Escrituras”.

1. Importância fundamental da Ressurreição.

a) para a nossa fé... Os Padres do Primeiro Concílio de Constantinopla puseram aqui o acréscimo “segundo as Escrituras”.

Introduziu-se no Símbolo de Fé esta expressão tomada do Apóstolo (ICor 15, 3-4), é porque o mesmo Apóstolo ensina a necessidade fundamental do mistério da Ressurreição: “Se Cristo não ressuscitou, de nada vale, pois a nossa pregação, e para nada adianta a vossa fé”. E ainda: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a vossa fé, pois ainda estais em vossos pecados”(I Cor 15, 14-17).

que nos distingues dos judeus e pagãos. Por isso é que, cheio de admiração pela verdade deste Artigo, Santo Agostinho escreveu: “Que muito crermos que Cristo morreu? Também os pagãos, os Judeus, e todos os maus o acreditam. Todos creem que morreu. A fé dos cristãos é a Ressurreição de Cristo. O que muito importa é crermos que Ele ressuscitou”.

b) sendo ponto capital da pregação de Cristo. Esta é também a razão por que Nosso Senhor falava tão amiúde de Sua Própria Ressurreição. Quase nunca se entretinha de Sua Paixão com os Discípulos, sem discorrer também acerca da Ressurreição. Disse, por exemplo: “O Filho do Homem será entregue aos gentios, escarnecido, flagelado e cuspido. Depois de O flagelarem, hão de dar-Lhe a morte”. E por fim acrescentou: “E ressuscitará ao terceiro dia”(Lc 18,32).

Quando os Judeus Lhe pediram para que confirmasse Sua doutrina com algum sinal ou prodígio, respondeu: Nenhum outro sinal lhes será dado senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um cetáceo, assim o Filho do Homem, afirmou Ele, estará três dias e três nooites no seio da terra”(Mt 12,39; Lc 11,29).


2. Provas desta asserção:

a) necessidade da Ressurreição. No entanto, há três questões que devemos analisar mais de perto: primeiro, por motivo devia Cristo ressuscitar; segundo; qual era a finalidade da Ressurreição; por último, quais são os frutos que dela resultaram em nosso benefício.

para consolidar nossa fé... Além do mais, a Ressurreição de Cristo devia consolidar em nós a fé, sem a qual o homem não pode justificar-se. A maior prova de que Cristo era Filho de Deus, deve ser o fato de que ressuscitou dentre os mortos por Sua própria virtude.

para nutrir a nossa esperança... E ainda a Ressurreição E ainda, a Ressurreição devia nutrir e apoiar a nossa esperança. Uma vez que Cristo ressuscitou, temos a firme esperança de que também havemos de ressurgir; porquanto os membros devem chegar à mesma condição em que se acha também a cabeça.

Esta é a conclusão que o Apóstolo parece tirar quando escreve aos Coríntios e Tessalonissenses (1 Cor 15,12; 1 Ts 4,12). É o que também diz o Príncipe dos Apóstolos: “Bendito seja Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua Grande misericórdia, pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, nos regenerou para esperança viva, para uma herança incorruptível”(1 Pd 1, 3-4).

para consumar a Redenção. Como a última das razões deve ensinar-se que a Ressurreição de Nosso Senhor era necessária, para consumar o mistério de nossa Salvação e Redenção.

Pela Sua Morte, Cristo nos remiu dos pecados. Pela Sua Ressurreição, nos restituiu os preciosos bens que havíamos perdido, em consequência de nossa prevaricação. Eis porque o Apóstolo disse: “Cristo foi entregue PR causa dos nossos pecados, e ressuscitou por causa da nossa justificação”(Rm 4,25).


II. Frutos da Ressurreição

1. Causa. Neste ponto da exposição, já podemos ver claramente, quantas vantagens não trouxe aos fiéis a Ressurreição de Cristo. Pela Ressurreição, reconhecemos que há um Deus imortal, cheio de glória, vencedor da morte e do demônio. Eis uma verdade que, devemos confessar a respeito de Jesus cristo sem a menor explicação.

a) de nossa ressurreição corporal... A ressurreição de Cristo acarretou também a ressurreição de nosso corpo, já por ser ela a causa eficiente desse mistério, já por ser a exemplo de Nosso Senhor que todos nós devemos ressurgir.

Ora, acerca da ressurreição corporal, O Apóstolo se externa da seguinte maneira: “Por um homem entrou a morte, e por um homem veio também a Ressurreição”(1 Cor 15,21).

Podemos afirmar que é o modelo da nossa, porque, a Ressurreição de Cristo é a mais perfeita de todas. Assim como, pela ressurreição, o Corpo de Cristo se transfigurou em glória imortal, assim também os nossos corpos, que antes eram fracos e mortais, ressurgirão ornados de glória e imortalidade. O Apóstolo ensina: “Esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que há de reformar o corpo de nossa baixeza, e torná-lo semelhante ao Seu corpo glorioso”(Fl 3,20).

b) ... e espiritual. Outro tanto se pode asseverar da alma, morta em consequência do pecado. Em que sentido lhe serve de modelo a Ressurreição de Cristo? O mesmo Apóstolo o demonstra com as seguintes razões: “Assim como Cristo ressurgiu dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós devemos andar numa vida nova. Se fomos enxertados Nele pela semelhança de Sua morte, também o seremos pela semelhança com Sua Ressurreição”(Rm 6,4).

2. Seu duplo modelo:

a) vida nova. Duplo é o modelo que nos cumpre imitar na Ressurreição de Cristo. O primeiro é que, após a purificação de nossos pecados, devemos abraçar uma vida nova em que rebrilhe a pureza de costumes, a inocência, a santidade, a modéstia, a justiça, a beneficência e a humildade.

b) perseverança... O segundo é perseverarmos neste novo gênero de vida, de sorte que pela graça de Deus jamais nos afastemos do caminho da justiça, em que entramos uma vez para sempre.

na justiça... Ora, as palavras do Apóstolo não só indicam que a Ressurreição de Cristo nos é proposta, como modelo de ressurreição, mas significam também que nos dá virtude de ressurgir; que nos incute a força e a mentalidade de perseverar na justiça e santidade, e de observar os Mandamentos de Deus.

3. Sinais desta ressurreição:

a) Cristo, centro de nossa vida. O Apóstolo aponta-nos alguns sinais desta ressurreição espiritual, a que devemos atender de preferência.

Quando aconselha: “Se ressurgistes com Cristo, procurai o que está no alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus”(Cl 3,1); mostra claramente que de fato ressuscitaram com Cristo, aqueles que não procuram vida, honra, repouso e riqueza, senão lá onde está Cristo.

b) apreço pelas coisas celestiais. Acrescentando: “Tende gosto pelas que estão no alto, e não pelas coisas cá da terra”(Cl 3,2); dá-nos ainda um outro sinal, por assim dizer, que nos permite verificar se realmente ressurgimos com Cristo (Jo 17,24).

Catecismo Romano.



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