Cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, com o Pe. Davide Pagliarani, superior da FSSPX.
Franco e cordial. Com essa frase, ambas as partes definem o momento que marca o fim das considerações e a futilidade da argumentação, dando lugar aos "fatos". A sorte está lançada.
A alegação de franqueza e cordialidade não é, de forma alguma, hipocrisia diplomática. Ambos os lados declararam claramente suas posições, sem as ambiguidades que se tornaram habituais. Um lado afirma: "Não pretendemos discutir nem o Concílio nem a reforma litúrgica", enquanto o outro declara: "Não pretendemos aceitar nem o Concílio nem a reforma litúrgica". Mas, além desses pontos que documentam e delimitam a disputa, ambos os lados sabem que existe um abismo espiritual entre eles, portanto, não há espaço para sequer se irritarem com questões triviais. Talvez alguns digam que não há "cordialidade" quando ameaças são brandidas, mas insisto que a declaração não é mentirosa. Quem declara abertamente sua posição e exibe uma ameaça, abre o coração. Anúncios de sanções explícitas e definidas não excluem nem a franqueza nem a cordialidade. Quando a ameaça não está escondida atrás das costas, todo homem viril aprecia a possibilidade de uma boa luta, cara a cara, de coração aberto.