segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Papa Francisco e a morte do "Espírito" do Vaticano II

 



Não houve nenhum concílio ecumênico na história, exceto o Vaticano II, que tenha alegado ter um espírito próprio. Não há espírito de Nicéia, do Segundo Latrão ou do Concílio Vaticano I. O espírito do Concílio Vaticano II foi inventado e endossado por teólogos, liturgistas e sacerdotes que acreditavam, ou pelo menos declaravam, que o texto real dos documentos do Concílio Vaticano II nada mais foi do que o ponto de partida para uma releitura radical da fé e da prática católica para acomodar as necessidades do homem moderno.


A iconoclastia que caracterizou a década após o Concílio, em que tantos templos foram saqueados – altares desmontados e substituídos por mesas, estátuas removidas ou destruídas, tabernáculos movidos para cantos onde passavam despercebidos, canto gregoriano e polifonia substituídos por cantos sentimentais que imitavam algumas das piores canções populares dos anos setenta, a aparição surpresa de coroinhas e ministros da Eucaristia – não podem ser atribuídas diretamente à Sacrosanctum Concilium, a constituição sobre a liturgia promulgada pelo Concílio Vaticano II. A verdade é que a revolução litúrgica que se seguiu ao Concílio é filha daqueles que tiraram o espírito conciliar das mangas para impor seu conceito de aggionarmento ou atualização da Igreja. O ruim do aggionarmento é que seu aplicativo sempre chega atrasado. Quando os frutos do espírito do Concílio foram postos em prática, os anos sessenta já haviam passado.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Matrimônio e divorcismo (O divórcio excepcional, tese da indissolubilidade e tese divorcista)

 





O divórcio excepcional

 

O que acabo de dizer é a condenação formal, radical e absoluta da união livre. A união livre, enquanto comporta  relações heterossexuais sem matrimônio, é uma verdadeira fornicação, de que São Paulo disse: “Sabei que nenhum fornicador receberá em herança o reino de Cristo e de Deus (Ef: 5,5).

Mas uma outra questão apresenta-se aqui. Admitindo-se que o matrimônio seja necessário, não se pode, em certos casos admitir o divórcio?

Certo é que as duas teses sendo opostas uma à outra, não podem ambas ser verdadeiras: uma é falsa, a outra, verdadeira.

Para os divorcistas, o matrimônio é um contrato bilateral, nascido do consentimento das partes; e por este título, concluem eles, ele pode, como qualquer contrato bilateral, tomar fim pelas causas que o ocasionaram.

Tal raciocínio é legalmente exato, porém a base do raciocínio é falsa...

O matrimônio não é um simples contrato; é mais que um contrato: é uma lei da natureza, uma lei social e uma lei divina. O regime do matrimônio é determinado pela sua determinação de sua finalidade.

O regime perfeito não existe neste mundo, onde tudo é contingente e imperfeito; devemos, pois, adotar o regime normal, estabelecido pelo autor da natureza; e este regime normal constitui uma lei geral que rege a instituição do matrimônio.

Mas poderá esta lei geral admitir uma exceção, por certas razões graves? Sim; se tais exceções são compatíveis com o bem prosseguido da lei. Não, se tais exceções, não podem, em prática, ser admitidas sem arruinar a própria lei.

Temos, pois, diante de nós a dupla tese      da indissolubilidade e a do divórcio.

 

terça-feira, 14 de junho de 2022

O significado e as consequências da consagração do 25 de março

 



Qual é o significado e quais serão as consequências da consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria feito pelo Papa Francisco em São Pedro em 25 de março de 2022?

Na aparição de 13 de julho de 1917 em Fátima, a Virgem anunciou aos três pastorinhos: "Vim pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados”. Em uma revelação privada depois da Irmã Lúcia, que aconteceu em 13 de junho de 1929 no mosteiro de Tuy, Nossa Senhora disse que "chegou a hora em que Deus pede ao Santo Padre para fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a Consagração da Rússia ao Meu Coração Imaculado prometendo salvá-la por este meio.

Nem Pio XI nem seus sucessores cumpriram este pedido, apenas parcialmente. Em 1952 Pio XII consagrou a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, mas sem unir os Bispos do mundo ao seu ato. João Paulo II usou em 1984 o neologismo "nós confiamos" em vez do termo consagração e não mencionou especificamente a Rússia. O modo requerido pela Virgem, porém, está todo presente no ato do Papa Francisco que pronunciou as seguintes palavras: "Solenemente confiamos e consagramos ao teu Imaculado Coração o nosso povo, a Igreja e toda a humanidade, especialmente a Rússia e a Ucrânia. Acolhe esse ato nosso que realizamos com confiança e amor, para cessar a guerra, e proporcione paz ao mundo. O "sim" que brotou do seu Coração abriu as portas da história para o Príncipe da Paz; nós confiamos que, através do seu Coração, a paz virá. À Senhora, então, Consagramos-te o futuro de toda a família humana, as necessidades e aspirações dos povos, as ansiedades e as esperanças do mundo.” A incorporação da Ucrânia à Rússia é perfeitamente legítima, entre outras coisas porque Kiev é o berço da civilização russa e a Ucrânia fazia parte da Rússia em 1917. O uso da palavra "solenemente" atribui especial importância ao ato do Santo Padre, que se realizou em São Pedro, numa austera cerimônia penitencial. No centro da basílica não era o Papa, mas a imagem de Nossa Senhora de Fátima, com a coroa na cabeça e um terço nas mãos, em frente ao altar da confissão iluminado como um dia ensolarado. Quem temia momentos de profanação ou distanciamento dos costumes e tradições da Igreja tiveram que reconsiderar. O Papa Francisco realizou este ato cercado por cardeais, bispos, representantes do mundo diplomático, sacerdotes, religiosos e religiosas e simples fiéis: uma parte qualificada, quase um microcosmo do mundo católico. Nesse mesmo momento, em todo o mundo, milhares de bispos e padres se uniram às palavras de consagração. Os guardas suíços imóveis ao redor do trono papal pareciam captar o eco de uma memória distante, mas nunca removida da história.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Matrimônio e divorcismo (teoria divorcista, instituição matrimonial e tese sociológica)

 





A Igreja combate o divórcio, porque é um atentado contra a lei natural, social e religiosa, embora o atentado não alcance diretamente os católicos (os católicos formados).

Estes últimos não se contentam com o contrato civil, que tem apenas efeitos civis, mas recebem o sacramento do matrimônio. Ora, este sacramento é indissolúvel, e não é alçada do poder civil, de modo que o católico considera sempre o casamento indissolúvel, qualquer que seja a atitude dos legisladores civis.

Entretanto, é certo que o sacramento recebe do contrato civil uma nova segurança, um apoio, embora não tenha nada de comum com ele no terreno da religião. Um católico não pode contentar-se com o contrato civil; tem de casar-se perante Deus.

Sendo assim, o contrato civil exclusivo é apenas o casamento dos que não são católicos, e nada faz à instituição divina do sacramento.

A Igreja deve, entretanto, combater o divórcio, como devem combater os homens honrados, porque a Igreja deve defender para todos a lei natural e a lei social, indiretamente ligadas à lei divina.

Os próprios protestantes, que não tem o sacramento do matrimônio, são obrigados a reconhecer a indissolubilidade do casamento; de modo que o divórcio é, como sempre foi, o ideal, a grande aspirações dos gozadores, dos boêmios, dos libertinos. Esta sim, é a verdade inegável.

Analisemos aqui as diversas teses, para, do meio da confusão, salientar a única tese da verdade.

 

I. A teoria divorcista

 

No fundo, apesar de todo palavrório paradoxal dos divorcistas o divórcio resume-se na seguinte teoria: A finalidade do matrimônio é procurar sensações, é p prazer e o gozo.

No dia em que, por uma razão qualquer, tais sensações deixarem de existir, o matrimônio não terá mais razão de ser. A ruptura absoluta e definitiva entre os cônjuges será a coisa mais lógica do mundo.

E os filhos? Sua educação? O escândalo? São uns tantos preconceitos! Procuro outro companheiro ou companheira e tenho razão.

A lama?... A lama não suja mais, visto que o divórcio foi inventado para que agente se deleite na lama sem se sujar.

A sua esposa deixou de agradar-lhe? Não se incomode; o legislador  reserva-lhe todos os meios de separação: é só escolher.

Incompatibilidade de gênio... rusgas precoces... adultério comprovado, estão a alçada de todas as fraquezas, de todas as covardias, de todas a covardias, de todas as traições.

Entre os romanos pagãos, isto era costume, era lei como os divorcistas fizeram hoje na sociedade. Agente casa-se na esperança de divorciar; o divórcio é como fruto do matrimônio. Mudam a lei e não podem fazer outra coisa senão a lei do adultério.

Com a religião nupcial o pudor desaparece; e os mesmos homens, as mesmas mulheres que excitavam a admiração do mundo pela sua pureza, excitam agora o espanto pela luxúria: estes fantasmas de uniões passageiras, todas baseadas em prazer e interesse, desgostam-se do matrimônio e esgotam a fonte da vida. A população diminuiu, e Roma não teve mais soldados para defender-se das invasões dos bárbaros.

A santidade do matrimônio é sacrificada à paixão, diante da qual todo joelho deve dobrar-se.

A luz, a civilização, o progresso, a própria ciência, parecem demonstrar que a solidez das instituições sociais está subordinada aos caprichos, às fantasias, aos apetites baixos dos homens.

Outrora pensava-se o contrário. Ensinava-se que a salvação e a estabilidade da sociedade deviam dominar os impulsos da natureza, e que o matrimônio, em particular, era destinado a meter um freio ao furor das ondas.

Mas tudo isto, grita o divorcista moderno, é preconceito, idiotice e escravidão. Seja tudo submergido, engolfado; esta é a lei do divórcio.

O divorcista, para legitimar a sujeira do divórcio, raciocina como segue: A lama só pode sujar quem estiver limpo; volvendo-se na lama... não há mais sujeira: é sujo sobre sujo, lama sobre lama; tudo fica sujo... e, o contraste entre o limpo e o sujo não existindo mais, permanece apenas uma questão de palavras; o sujo não existindo  mais, tudo é limpeza: a própria lama é a limpeza.

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

São Francisco Xavier

 



“São Francisco Xavier nasceu no Castelo de Xavier perto de Sanguesa, em Navarra, a 7 de abril de 1506; morreu na Ilha de Sancian, perto da costa da China, em 2 de dezembro de 1552. Em 1525, tendo concluído um curso preliminar de estudos em seu próprio país, Francisco Xavier foi para Paris, onde ingressou no Collège de Sainte-Barbe. Aqui ele conheceu o Savoyard, Pierre Favre, e uma calorosa amizade pessoal surgiu entre eles. Foi neste mesmo colégio que Santo Inácio de Loyola, que já planejava a fundação da Companhia de Jesus, residiu por algum tempo como hóspede em 1529. Ele logo conquistou a confiança dos dois jovens; primeiro Favre e depois Xavier ofereceram-se com ele na formação da Companhia. Quatro outros, Lainez, Salmerón, Rodríguez e Bobadilla, tendo-se juntado a eles, os sete fizeram o famoso voto de Montmartre, 15 de agosto de 1534.

 Depois de terminar os estudos em Paris e ocupar o cargo de professor por algum tempo, Xavier deixou a cidade com seus companheiros em 15 de novembro de 1536, e dirigiu-se a Veneza, onde demonstrou zelo e caridade no atendimento aos enfermos nos hospitais. Em 24 de junho de 1537, ele recebeu as ordens sagradas de Santo Inácio. No ano seguinte foi a Roma e, depois de alguns meses de trabalho apostólico, na primavera de 1539 participou nas conferências que Santo Inácio organizou com seus companheiros para preparar a fundação definitiva da Companhia de Jesus. A ordem foi aprovada verbalmente em 3 de setembro, e antes que a aprovação escrita fosse assegurada, o que não aconteceu senão um ano depois, Xavier foi nomeado, a pedido sincero de João III, Rei de Portugal, para evangelizar o povo das Índias Orientais. Ele deixou Roma em 16 de março de 1540 e chegou a Lisboa por volta de junho. Aqui ele permaneceu nove meses, dando muitos exemplos admiráveis ​​de zelo apostólico.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

LIBERANOS A MALO. Considerações sobre o Grande Reinício e a Nova Ordem Mundial


Mosenhor Viganò


 

Ninguém fará parte da Nova Ordem Mundial até que realize um ato de adoração a Lúcifer.

 

Ninguém entrará na Nova Era sem receber instruções luciferianas.

 

David Spangler

 

Diretor do projeto da Iniciativa Planetária das Nações Unidas

 

(Reflexões sobre o Cristo, Findhorn, 1978)

 

Há mais de um ano e meio, temos assistido impotentemente a uma sucessão de eventos incongruentes para os quais a maioria de nós não está em posição de dar uma explicação plausível. A emergência da pandemia tornou particularmente evidentes as contradições e o absurdo das medidas teoricamente destinadas a limitar o contágio - confinamento, toque de recolher, interrupção do comércio, limitação dos serviços públicos e da educação, suspensão dos direitos civis - e que são rejeitadas diariamente por vozes discordantes, devido a indícios inegáveis ​​de sua ineficácia e por contradições por parte das próprias autoridades sanitárias. Não é necessário listar as medidas que quase todos os governos do mundo têm tomado sem obter os resultados prometidos. Se nos limitarmos aos alegados benefícios que a terapia gênica experimental deveria ter trazido à sociedade - especialmente imunidade contra o vírus e a recuperação da liberdade de movimento - descobrimos que um estudo da Universidade de Oxford publicado no The Lancet (aqui) afirmou que o vírus a carga de vacinados com a segunda pauta é 251 vezes maior em relação às primeiras cepas do vírus (aqui), apesar das proclamações de lideranças internacionais, a começar pelo primeiro-ministro italiano Mario Draghi, que afirma que “quem se vacina vive, e quem quer que seja se não vacina, morre. " Os efeitos colaterais da terapia genética, inteligentemente ocultados ou deliberadamente não registrados pelas autoridades sanitárias nacionais, parecem confirmar o perigo da administração e as incógnitas perturbadoras para a saúde dos cidadãos que em breve teremos de enfrentar.

 

Da ciência ao cientificismo

 

A arte médica - que não é ciência, mas consiste na aplicação de princípios científicos quase sempre diversos, baseados na experiência e na experimentação, dá mostras de ter renunciado à própria prudência em nome de uma emergência que a elevou à categoria de sacerdócio de uma religião - especificamente a ciência - que para ser tal, está envolta em um dogmatismo que beira a superstição. Os ministros deste culto tornaram-se uma casta intocável, isenta de qualquer crítica, mesmo quando suas reivindicações são negadas pela realidade dos fatos. Os princípios da medicina, considerados universalmente válidos até fevereiro de 2020, deram lugar ao improviso, a ponto de recomendar a vacinação em meio a uma pandemia, a obrigatoriedade de usar máscara apesar de ter sido declarada inútil, um distanciamento social absurdo, a proibição de tratamento com drogas eficazes e a imposição de terapias genéticas experimentais em contravenção aos padrões de segurança habituais. E assim como surgiram os sacerdotes da cobiça, também surgiram os hereges, isto é, aqueles que rejeitam a nova religião pandêmica e desejam ser fiéis ao Juramento de Hipócrates. Muitas vezes, a aura de infalibilidade em torno de virologistas e outros cientistas mais ou menos qualificados não é questionada por causa de seus conflitos de interesse ou por causa das vantagens óbvias das empresas farmacêuticas, que em circunstâncias normais seriam escandalosas ou criminosas.

Muitos não conseguem entender a incongruência entre os fins declarados e os meios que ocasionalmente são empregados para obtê-los. Se na Suécia a falta de confinamento e a de imposição de máscaras não resultou em infecções maiores do que em países onde o confinamento em casa foi implementado ou a obrigação de uma máscara foi imposta mesmo na escola primária, este elemento não é levado em consideração como evidência da ineficácia das medidas tomadas. Se em Israel e na Grã-Bretanha a vacinação em massa aumentou o contágio e tornou a doença mais virulenta, seu exemplo não insta os governantes de outros países a adotarem uma atitude prudente na campanha de vacinação, mas até os leva a estudar a obrigatoriedade da sua administração. Se a ivermectina e o plasma hiperimune demonstraram ser terapias válidas, eles não são autorizados, muito menos recomendados. E os que questionam o motivo de tamanha irracionalidade desconcertante acabam suspendendo o julgamento, substituindo-o por uma espécie de adesão fideísta às declarações solenes dos sacerdotes da Covid, ou, ao contrário, consideram os médicos curandeiros em quem não se pode confiar.

 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Traditionis Custodes: ignorância, ingenuidade e espírito anticatólico

 




Avaliação geral do documento

 

É, antes de mais nada, um documento que mostra grande desconhecimento da realidade que procura “corrigir” ou “gerir”. Parece que quem o escreveu ignora a natureza das comunidades religiosas tradicionais, numerosas nas vocações e cada vez mais influentes no contexto de um Ocidente onde as vocações estão em colapso, e dos seus fiéis, empenhados acima da média na manutenção e apoio aos vossos sacerdotes . Não são uma “realidade eclesial”, para usar a nova linguagem em uso, fraca, marginal ou desarmada. Para nada. Portanto, não será fácil aplicá-lo. E isso, ademais, nos revela a segunda característica do documento, sua, poderíamos dizer, uma ingenuidade cega.


Parece que o Papa Francisco acredita que com suas medidas draconianas, ainda mais duras que as do motu proprio Quattor abhinc annos de 1984 (a primeira “autorização” oficial, muito limitada, da missa tradicional) será capaz de desmantelar um movimento que agora é muito maior do que antes. E essa arrogância, que seria risível se essas circunstâncias trágicas não fossem mediadas, é revelada na carta do Papa que acompanha o motu proprio. Aí se diz que é dever principal dos bispos “prover para o bem daqueles que estão enraizados na forma anterior de celebração e precisam de tempo para voltar ao rito romano promulgado pelos santos Paulo VI e João Paulo II”. Ou seja, considera possível que os bispos, que em 2021 gozam, como sabemos, dos seus níveis mais baixos de prestígio e poder da história, possam fazer uma "lavagem cerebral", persuadir, manipular ou convencer os fiéis enraizados no rito tradicional com um profundo empenho e convicção de assistir exclusivamente à nova missa.


Ele acredita que poderá fazer o que Paulo VI não poderia fazer com uma estrutura eclesiástica muito mais poderosa e depois uma oposição aparentemente minúscula: extinguir a missa tradicional. É uma cegueira tão grande e tão distante da mínima prudência humana que parece certamente preternatural.


Por fim, o documento revela um caráter anticatólico bastante significativo em sua tese de que a missa tradicional é incompatível com a lex orandi da Igreja atual. Reflitamos sobre este ponto: significa que a liturgia celebrada pelo Padre Pio, Santo Antônio de Pádua e o Cura d’ Ars e que nada mais é do que o rito de São Gregório Magno, de origens apostólica , não é mais compatível com a Igreja atual? Isso pode ter consequências quase graves de confissão involuntária: talvez a Igreja que o Papa Francisco promove seja uma Igreja radicalmente diferente da Igreja de sempre ... Não estou dizendo isso, implica o documento.


Portanto, em resumo, a leitura dos Traditionis Custodes nos leva às seguintes conclusões: revela ignorância, cegueira preternatural e um espírito anticatólico.

 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Por quê o sentido do pecado desapareceu entre os católicos?

 








Hoje, ninguém em sã consciência ousa negar ou duvidar que na grande maioria das consciências o sentido do pecado desapareceu. Para fazer uma análise objetiva do presente tema, é conveniente trazer este parágrafo do discurso inaugural do Concílio Vaticano II:

 

A Igreja sempre se opôs a esses erros. Frequentemente os condenava com a maior severidade. Em nossa época, porém, a Esposa de Cristo prefere usar o remédio da misericórdia ao invés do da severidade. Ela quer atender às necessidades atuais, mostrando a validade de sua doutrina ao invés de renovar condenações

 

É verdade que, apoiada na Sagrada Escritura (livro do Deuteronômio capítulo 7), a afirmação do parágrafo citado tem consistência, pois no equilíbrio entre a justiça e a misericórdia divina a segunda é maior que a primeira. O problema, ou melhor, a causa raiz está na transformação radical que ocorreu na Igreja Católica, uma vez encerrado o concílio, minimizando ao máximo a exortação moral da consciência da verdade objetiva, ao mesmo tempo em que aposta num otimismo antropológico de um nível tão alto que tornou o próprio homem um juiz de si mesmo, independentemente de toda autoridade divina. Pode-se muito bem afirmar que na segunda metade do século XX, o pecado original foi renovado em sua essência (Gênesis), tentando “ser como deuses” por uma humanidade que não foi limitada por nenhum poder moral legítimo, como de fato é, e deveria ser, a Igreja de Cristo. O ser humano, desde o século 20, tornou-se o demiurgo de sua própria salvação; e atingiu esse estado insano (embora perante o mundo seja um estado inteligente), eliminando quase completamente o ensino magisterial sobre o pecado, a responsabilidade moral individual e a possibilidade muito real da condenação eterna. O leitor acha que é uma teoria exagerada ?; Bem .... vamos pousar em exemplos concretos:

segunda-feira, 19 de abril de 2021

A mulher na históriada salvação


 

Não é bom que o homem fique só; Far-lhe-ei  uma auxiliar para eleGênesis 2:18.


“Porque o homem não veio da mulher, mas a mulher do homem, assim como o homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem” 1 Cor.11: 8-9.

O objetivo desta nota é destacar o plano de Deus para a salvação humana e o gravíssimo erro de Francisco ao abrir o leitorado e o acolitato às mulheres; sem dúvida em vista de um possível diaconato feminino e talvez um sacerdócio posterior.

Criado os Anjos; produziu sua queda e, consequentemente, um número considerável de anjos expulsos do céu e lançados no inferno; Deus teria decidido criar o homem de forma que o número de salvos substituísse o número de anjos caídos. Daí o ódio do demônio pelo homem.

Depois da criação do homem, Deus decide dar-lhe uma auxiliar semelhante. Oposto como sinônimo de contrário ou diferente e, portanto, complementar.

Produzida a queda de Adão e Eva, Deus arranja as condições da nova vida fora do Éden que não valem a pena ser lembradas porque são conhecidas. Em primeiro lugar, repreende a mulher, mesmo sendo o homem o cabeça da mulher: “Multiplicarei muito as dores do parto. Com dor darás à luz filhos, desejarás a teu marido e ele te dominará ”Gên. 3,16

E ao homem ele diz: “Por ter ouvido a voz de sua mulher e comido da árvore que eu havia proibido de comer, a terra será amaldiçoada por sua causa; com trabalho doloroso, você se alimentará dela todos os dias de sua vida; Ela produzirá espinhos e abrolhos para você, e você comerá as ervas do campo. Com o suor do rosto você comerá o pão, até retornar à terra; pois dela você foi formado. Você é pó e ao pó voltará ”Gn.3,17-19. Essa é a condição do homem. E para evitar as paixões desordenadas e dar dignidade aos homens e mulheres, fez-lhes túnicas em vez de aventais ou cintas como eles fizeram quando se viram nus.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Pode sair algo bom da democracia?

 



Democracia, coveira das «demos»

 

É frequente que quando algo é grandemente exaltado, quando algo ou alguém é concedido um lugar na escala dos seres muito acima de sua disposição real, o que se segue é a aniquilação implacável do objeto assim exaltado. Porque o absurdo é corrosivo, e não abstraindo ninguém de sua posição real no cosmos atrai a intervenção daquela justiça vingativa implícita nas obras da Providência divina que não fica ociosa diante dos ultrajes dos mortais. Colocar algo ou alguém além das nuvens,  geralmente é seguido por transformá-los em gás, em fumaça.

Algo parecido aconteceu com aquela unidade orgânica e hierárquica denominada "o povo" depois que agitadores e ideólogos da Revolução ergueram a incrível bandeira da "soberania popular", dotada de atributos régios (que, por definição, correspondem a apenas um) à multidão. Desde então, a unidade do povo (que lhe foi dada por sua identidade histórico-cultural) passou a se basear nessa prerrogativa de enganar o Príncipe, que foi talvez a mais grosseira cristalização do erro voluntarista -e de maior alcance- isso é conhecido na vida das sociedades históricas.

Foi um golpe ao nível das concepções primordiais, dos conceitos que traduzem a própria apreensão das coisas, uma ferida na inteligência que determinou a vasta hecatombe de erros que vão acontecendo até o presente em progressão cada vez maior. Como consequência, o povo deixou de existir a mando das massas - aquela entidade inconstante, de pura materialidade informe, passível de ser domada, como massa de vidraceiro, pelas mãos de quem se apropria dela. E também é suscetível de ser conduzido por uma "causa" tão volátil quanto a honra de seus proponentes. Nos nossos dias, o inegável aumento da estupidez prova-o sem mitigação, cujo cultivo se revela uma política de Estado prioritária, bem como a coexistência (o paradoxo é apenas aparente) do mais extremo individualismo e despersonalização, numa síntese hipnótica de liberalismo e coletivismo marxista consumado por aquela última "irmandade" chamada a superar a tensão (latente desde os tempos de Desmoulins e Babeuf) entre a liberdade revolucionária e a igualdade. A democracia - o dogma inexpugnável de nosso tempo e, portanto, uma mesa à qual o homem se apega ao seu único instinto de autopreservação, como prova tantos bispos comedidos - soube erguer a bondade como árbitro das forças dissociativas do orgulho e a inveja que fervia em seu peito.