segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quamquam Pluries


1º de  Maio dia de São José operário.

Com esse documento do Papa Leão XIII, lembramos da importância de nosso padroeiro e guardião da Igreja de Cristo, já que os inimigos de Deus sempre estão colocando uma data humanista para substituir o feriado santo por um feriado antropocêntrico cuja finalidade é colocar os bens terrenos corruptíveis acima dos bens celestes incorruptíveis e, assim, vai se apagando da memória popular esse grande intercessor que temos diante de Deus.



Quamquam Pluries


A devoção a são José


Papa Leão XIII


Ainda que tenhamos mandado mais vezes que em todo o mundo católico se fizessem orações especiais e com a maior insistência se recomendassem a Deus os interesses da Igreja, mesmo assim, ninguém há de se admirar se neste ano julgamos nosso dever inculcar novamente este dever.

Com efeito, nos momentos difíceis e de maneira particular quando “o poder das trevas” parece tudo ousar para a ruína da religião cristã, a Igreja, costuma invocar e suplicar, com fervor e constância maior, a Deus, seu fundador e protetor, interpondo também a intercessão dos santos e especialmente da Virgem Mãe de Deus, porque da proteção deles espera o mais válido apoio aos seus interesses. E cedo ou tarde manifestam-se os frutos das orações piedosas e das esperanças que ela pôs na bondade de Deus.

Ora, veneráveis irmãos, vós conheceis as adversidades do nosso tempo, que é bem mais prejudicial para a religião cristã do que aqueles que passaram. Vemos como num grandíssimo número de fiéis desaba a fé, fundamento de todas as virtudes cristãs; resfria-se a caridade; a juventude cresce na depravação dos costumes e das ideias; a Igreja de Cristo é assaltada por todo lado com violência e a fraude; faz-se uma guerra feroz ao pontificado; com ousadia crescente corroem-se os próprios fundamentos da religião. Não é preciso demonstrar, por se demasiado conhecido, até que ponto se chegou a esta descida nos últimos tempos, e o que se quer fazer de pior ainda.



Numa situação tão triste e dócil só podemos pedir o remédio ao poder divino, pois os remédios humanos são inadequados aos males.

Por isso julgamos nosso dever excitar a piedade do povo cristão a implorar com ardor e perseverança maiores a ajuda de Deus onipotente. Portanto, ao aproximar-se do mês de outubro, que já outras vezes declaramos consagrado à Virgem do Rosário, exortamos vivamente os fiéis a querê-lo transcorrer todo com maior assiduidade e com o mais alto espírito de devoção e piedade.

Na bondade materna da Virgem sabemos encontrar um refúgio seguro, e temos a certeza que a nossa esperança nela não é vã. Se, em centenas de outras ocasiões, particularmente graves para o cristianismo, ela fez sentir a eficácia da sua ajuda, por que deveríamos duvidar que não queira repetir as provas de seu poder e de seu favor, quando os fiéis, todos juntos em humildade de espírito e com constância, a invocarem? Até devemos acreditar que sua  intervenção será muito mais admirável quanto mais longamente se tenha deixado suplicar.

Porém, veneráveis irmãos, nos propomos também outra finalidade para cuja consecução colaborareis conosco, com a vossa habitual diligência. Pensamos que se o povo cristão se habitua a invocar com grande piedade e confiança, junto com a Virgem Mãe de Deus, o seu castíssimo esposo são José, isso auxiliará imensamente, para que Deus se mostre mais favorável às nossas orações e, pelo grande número dos que rezam, socorra com maior generosidade e solicitude sua Igreja. Motivos evidentes convencem-nos que isso é agradável e aceito pela Virgem.

Sabemos que a piedade popular não somente é propensa a esta devoção, da qual, pela primeira vez, vos falamos oficialmente, mas que ela já se difundiu e está-se desenvolvendo grandemente; pois assistimos, especialmente nestes últimos anos, a uma afirmação clara e uma larga difusão do culto a são José, que já nos séculos passados os pontífices romanos se esforçaram por incrementar e divulgar; e isso especialmente depois que o nosso predecessor Pio IX, de feliz memória, proclamou, a pedido de muitíssimos bispos, o santíssimo Patriarca padroeiro da Igreja universal.

E como é muito importante que a veneração a são José penetre intimamente nos costumes e nas instituições católicas, queremos que o povo cristão seja estimulado a isso também pela nossa palavra e autoridade.

Os motivos pelos quais são José é expressamente considerado padroeiro da Igreja e pelos quais, por sua vez, a Igreja espera de sua proteção e intercessão uma ajuda poderosíssima, devem ser procurados no fato de ele ter sido esposo de Maria e pai legal de Jesus Cristo. É daqui que se originam sua dignidade, sua graça, sua santidade, sua glória. Com certeza a dignidade de Mãe de Deus é tão sublime que não se pode encontrar nada de mais excelso. Mas é também verdade que como são José está ligado a Maria pelo vínculo conjugal, ninguém, mais do que ele se aproximou daquela dignidade excelsa, que situa a Mãe de Deus acima de todas as criaturas. Com efeito, o matrimônio, entre todas as sociedades e uniões, forma aquela mais íntima, da qual naturalmente deriva uma participação recíproca dos bens entre cônjuges. Por isso, se Deus escolheu José como esposo da Virgem, com isso não somente o tornou companheiro de sua vida, testemunha de sua virgindade, defensor de sua honestidade, mas, pelo motivo da própria sociedade conjugal, o tornou também participante de sua dignidade sublime.

Mas por outro motivo ele ultrapassa a dignidade de todos os outros: porque foi escolhido, por conselho divino, a ser o guarda do Filho de Deus,e também, no julgamento comum, como seu pai. Disso derivava que o Verbo de Deus estivesse humildemente submetido à José, obedecesse às suas disposições e lhe desse todos aqueles testemunhos de honra que os filhos necessariamente tributam ao pai.

Consequência espontânea dessa sua dúplice dignidade eram os deveres naturalmente próprios dos pais de família, pelos quais sendo José chefe dessa família, era também o guardião, o administrador, o defensor legítimo e natural. Com efeito, ele cumpriu, durante sua vida estes, esses interesses e encargos. Com sua solicitude terníssima e amorosa de cada dia, José sempre defendeu sua esposa e o Filho de Deus; para ambos proporcionou com seu trabalho a alimentação e tudo o que é necessário à vida; salvou ao Filho a vida ameaçada pelo ciúme do rei, procurando-lhe um refúgio seguro; e nos incômodos das viagens, nas asperezas do exílio foi seu companheiro constante, a ajuda e o sustento da Virgem e de Jesus.

Ora, essa graça divina que José dirigiu com funções paternas, continha em germe a Igreja nascente. A Virgem santíssima é Mãe de Deus, mas é também mãe de todos os cristãos que gerou no Calvário, no sofrimento infinito do Redentor; assim, Jesus Cristo, é de certa forma, o primogênito dos cristãos que lhe são irmãos por adoção e redenção.

Esses ao os motivos pelos quais o santo Patriarca sente que lhe é confiada de maneira particular a multidão dos cristãos que formam a Igreja: a família imensa, isto é, espalhada por toda a terra, sobre a qual ele exerce como que uma autoridade paterna, enquanto esposo de Maria e pai de Jesus Cristo. Está, portanto, em harmonia côa as atribuições e com a dignidade de são José, que ele, assim como providenciava, uma vez, para todas as necessidades da família de Nazaré, também agora mantenha sob sua celeste proteção e defenda a Igreja de Cristo.

Estas considerações, veneráveis irmãos. São corroboradas, como é fácil entender, pela opinião de muitos Padres da Igreja, à qual se associa a liturgia sagrada, segundo a qual o antigo José, filho do patriarca Jacó, ocultava a pessoas e as funções do nosso, e a sua grandeza simbolizava a do futuro guardião da família divina.

Na realidade, além da identidade do nome, já de per si significava, vós bem conheceis as outras semelhanças evidentes, que se encontram entre eles. E, em primeiro lugar, aquela pela qual o antigo José recebeu o favor e a benevolência singular de seu senhor; e, quando foi preposto à administração da casa, esta, por causa dele, foi favorecida por fortuna e prosperidade excepcionais. Outra semelhança, ainda mais notável, temo-la feito de José, por decreto do rei, ser preposto a todo reino, com poder ilimitado. E, tendo-se verificado, naquele tempo, uma terrível carestia de trigo, sua intervenção em favor dos egípcios e dos povos confinantes, foi útil e providencial que o rei mandou saudá-lo “Salvador do mundo”.

Desta forma, no antigo, ilustre patriarca, pode-se ver claramente prefigurada a imagem do segundo. Como o primeiro tornou prósperos e vantajosos os interesses familiares de seu dono e em seguida beneficiou imensamente todo o reino, pode-se crer que o segundo José, escolhido como protetor do cristianismo, queira defender e guardar a Igreja, que é verdadeiramente a casa do Senhor e o reino de Deus na terra.

Na verdade, motivos evidentes induzem todos os fiéis de qualquer estado e condição a confiar e entregar-se à proteção eficaz de são José.

Os pais de família encontram em José o ideal da vigilância e da solicitude paterna; os esposos, o exemplo perfeito de amor, da concórdia, da fidelidade conjugal; os virgens, o modelo e o protetor da integridade virginal. Os nobres aprendam de seu exemplo a conservar a sua dignidade, mesmo nos revezes da fortuna; os ricos compreendam quais bens sejam necessário procurar e reunir com todas as forças.

Mas os operários, os artesãos  e todos os que vivem numa condição mais modesta, têm, pode-se dizer, o direito particular de recorrer a José, na certeza de encontrar nele exemplos a imitar. Com defeito, ele, ainda que de sangue régio, casado com a mais santa de todas as mulheres e pai legal do Filho de Deus, transcorre a  sua vida no trabalho, do qual tira o necessário para o sustento da família.

Por isso, na verdade, não se pode dizer que a condição dos pobres seja desprezível; pelo contrário, o trabalho dos operários não só não é desprovido de decoro, mas pode, quando acompanhado pela virtude, tornar-se um título de grande honra. José, contente do pouco que possuía, suportou com serenidade de espírito e com magnanimidade os apertos inerentes à sua modesta condição de vida, imitando nisso o seu Filho adotivo, o qual, ainda que Senhor de todas as coisas, depois de ter assumido a forma de servo, submeteu-se voluntariamente à indigência e à falta de tudo.

Ao refletir nesses exemplos, os pobres e todos que vivem do trabalho de suas mãos devem levantar seu ânimo e alimentar sentimentos de paciência. A justiça permite que possam sair da miséria e melhorar suas condições de vida; mas nem a justiça, nem a razão permitem a subversão da ordem estabelecida por Deus. Pelo contrário, o recurso à violência e a política da sedição e da praça é loucura que, o mais das vezes, agrava exatamente aqueles males que se queria aliviar com essas manifestações. Portanto, os pobres não devem confiar nas promessas de homens turbulentos, e sim na proteção e no exemplo de são José e no amor materno da Igreja, a qual, cada dia mais, se preocupa com a sua sorte.

Por isso, veneráveis irmãos, confiando muito na vossa autoridade e zelo episcopal, e na confiança de que os bons farão espontaneamente muito mais do que é prescrito, ordenamos que durante todo o mês de outubro, depois da reza do santo rosário, já outras vezes inculcada, se acrescente a oração a são José, reportada no final desta carta. E isso cumpra-se, todos os anos, para sempre. A quem recitar devotamente essa oração concedemos, todas as vezes, a indulgência de sete anos e sete quarentenas.

Além disso, nalguns lugares impôs-se o hábito louvável e salutar de dedicar o mês de março à honra do santo à honra do santo Patriarca, com exercícios cotidianos de piedade. Onde não se puder facilmente estabelecer essa prática, pelo menos é desejável que antes do dia da sua festa, se faça na igreja principal de todos os lugares um tríduo de orações.

E nos lugares onde o dia 19 de março, dedicado a são José, não haja computado entre as festas de preceito, todos os fiéis santifique esse dia, no que lhos for possível, com práticas particulares de piedade em honra de seu padroeiro celeste, como se fosse de preceito.

Entretanto, com o auspício dos favores celestes e como prova de nossa benevolência, concedemos com afeto no Senhor a vós, veneráveis irmãos, ao clero e ao povo a vós confiado a bênção apostólica.




ORAÇÃO A SÃO JOSÉ

Avós são José, recorremos em nossa tribulação e, depois de termos implorado o auxílio de vossa santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos também o vosso patrocínio. Por esse  laço sagrado de caridade que nos uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tiveste ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com seu sangue e nos socorrais em nossas necessidades com vosso auxílio e poder.

Protegei ó guarda providente da Divina Família, o povo eleito de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo a peste dos erros e dos vícios que aflige o mundo. Assistimos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade. Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados como vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém.

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