Tradução
de Airton Vieira* – Quando um personagem autorizado
durante um discurso público deixa faltar os temas importantes, logicamente tentará
entreter ao auditório com outros temas de interesse geral, para não defraudar
as expectativas, dirigindo a atenção dos presentes para temas adequados à circunstância.
São os temas de reserva e de um certo efeito emotivo aos que estes personagens
públicos recorrem para obter o consenso dos ouvintes, dos fãs e dos jornalistas: neste caso surgem as qualidades
do protagonista com as decisões que desvelam também sua personalidade.
No que se refere à Doutrina Católica,
é difícil propor elementos novos e interessantes sobre temas já discutidos
difusamente pelos expertos, motivo pelo qual é possível encontrar-se em notáveis
dificuldades quando alguém queira desviar-se da tradição já consolidada.
Há tempos, por exemplo, com ampla e complexa manobra,
se está preparando o terreno para o passo decisivo: equiparar o Sacrifício
Eucarístico a uma simples e amigável ceia convivial, como no rito
luterano, excluindo a transubstanciação do
pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo, adequando ad hoc a fórmula de “consagração” em uso desde muitos
séculos na Igreja Católica.
É também o problema surgido com o papa Francisco, ao
afrontar a questão na Carta Apostólica “Amoris laetitia” sobre
a moral matrimonial, já debatida em outras ocasiões, acerca da licitude ou não
de conceder a Comunhão Eucarística aos divorciados recasados em casos
particulares.
O fato de que o papa Francisco afronte temas
religiosos com implicações sociais faz pensar que suas preferências são, não só
católicas e pastorais, como também de ordem ecumênica a favor dos protestantes;
preferências que podem pressagiar que no futuro poderemos ver unificadas as religiões
cristãs para “adequar” também a religião Católica, a única verdadeira, a todas as
demais, para que, com o tempo, a humanidade tenha uma única religião,
igual para todos, tomando das várias confissões religiosas os
elementos comuns e unitivos. A este paso, também as religiões não cristãs terão
no futuro uma colocação.
Várias autoridades religiosas estão trabalhando
hoje já nesta direção, com o fim de debilitar a Fé Verdadeira, partindo de uma plataforma
de apostasia generalizada para pôr as bases da equivalência
ou da paridade de todas as religiões enxertadas em uma Única Religião Mundial.
A apostasia como ponto de partida
Para chegar a uma religião universal nova e única,
que substitua as religiões tradicionais existentes hoje, após milênios de
prática religiosa enraizada nos povos ou séculos de paganismo ou de ateísmo de
Estado, considerando também a possibilidade de uma prática religiosa
clandestina, como demonstram vários testemunhos, utilizando também as técnicas mais
recentes e eficazes de adestramento por meio dos meios de comunicação, é improvável
que os resultados sejam os desejados. Por isso deverão adotar-se métodos constritivos para convencer as massas a
unir-se a uma ideologia ou fé religiosa totalmente nova, imposta por lei. É o
que sofreremos todos sob o regime do anticristo, do qual vislumbramos no plano
de fundo os primeiros sinais.
As novas gerações deverão adequar-se a muitas novidades
no ambiente político e religioso para acolher, não tanto um regime democrático já firmemente consolidado, mas para
confluir todos em una religião universal imposta pelo anticristo e
por seus titulares infiltrados por todas as partes pelas Lojas maçônicas.
A apostasia, induzida
pela mentalidade neo-modernista e relativista, difundida amplamente pelos meios
de comunicação, no desprezo ao Decálogo, à moral cristã e a toda norma de
sentido comum, em uma sociedade em ruína, é a condição favorita dos precursores
do anticristo para anunciar ao mundo um salvador universal na pessoa
do homem iníquo, aclamado como o esperado da providência. Um personagem
aclamado pelos meios de comunicação como um messias, salvador da humanidade e
benfeitor dos pobres, mas em realidade uma criatura de Satanás.
Na incerteza do tempo presente nos
ilumina o mesmo Catecismo da Igreja Católica, no que se lê no Nº 675:
“Antes do advento de Cristo, a Igreja
deverá passar por uma prova final que sacudirá a fé de numerosos
crentes. A perseguição que acompanha sua peregrinação sobre a terra desvelará o ‘Mistério
de iniquidade’ sob a forma de uma impostura religiosa que
proporcionará aos homens uma solução aparente a seus problemas pelo preço da apostasia
da verdade.
A impostura religiosa suprema é a do
Anticristo, ou seja, a de um pseudo-messianismo no que o homem se glorifica a si
mesmo colocando-se no lugar de Deus e de seu Messias vindo em carne”.
A pergunta que nos fazemos após a leitura
deste texto neste 2018 é a seguinte: em que ponto se encontra, hoje, a
impostura religiosa?
Estamos vivendo o “Mistério da
iniquidade”
No referente mistério podemos pensar
que a Igreja e a humanidade se encontram imersos, mesmo que sejam poucos os que
falem disso. Em efeito, se este “mistério” estivesse nos lábios de todos já não
seria tal mistério, sendo assim a profecia analisada, contrastada e discutida.
Falamos disso com temor, como uma voz
“[do] que grita no deserto”, um deserto de apostasia e de ateísmo, voz que
alcança só a um pequeno círculo de crentes que leem a Palavra de Deus, rezam o
Rosário e esperam com ânsia o retorno de Jesus, nossa única salvação, que pode
livrar-nos do domínio mortal dos precursores do anticristo, que ocupam os
assentos de excelência.
Em troca, há muitos cristãos e gente
de boa vontade que se interrogam, que interpelam o poder político e religioso:
·
Por que os Pastores da Igreja não nos
falam dos perigos que ameaçam o mundo?
·
Por que os governos não bloqueiam as
guerras locais para evitar a extensão dos conflitos?
·
Por que não se fala de conversão e de
oração para salvar-nos da autodestruição?
·
Por que o Papa não propõe à Igreja o
Santo Rosário para a conversão do mundo a Cristo?
·
Por que tantas dilações em reconhecer
as aparições da Virgem?
Estas perguntas, legítimas como tantas outras,
surgem espontâneas porque as autoridades vaticanas estão ainda estranhamente imóveis
e tudo parece adiado sine die.
Se pode suspeitar que, por excesso de
prudência, o Magistério não queira se pronunciar e que mantenha sempre a
reserva a todo custo.
Alguém poderia pensar que os inimigos
de Deus, disfarçadamente penetrados na Igreja– não é esta certamente uma novidade
–, queiram competir com o Rey do universo, colocando-se do lado do adversário
que atualmente parece dominar o mundo, enquanto os notoriamente iludidos são os
que correm o risco da eterna desesperação.
É possível que na Hierarquia católica exista personagens
tão “cegos e guias de cegos” que corram o risco da pena
do inferno a câmbio de um êxito efêmero e talvez mui pesado, como a púrpura cardinalícia, como afirmam os
especialistas?
O único atenuante em ditos casos é
que, ou se trata de pessoas que esperam pedir perdão à misericórdia de Deus no
último momento, ou bem que o cargo prestigioso alcançado é a única meta desejada,
porque não creem em Deus Verdade, que se esconde à vista dos soberbos. Em ambos
os casos, devemos somente rogar a clemência do Céu para que venha em ajuda à
insipiência do homem com tão mísero horizonte de vida.
Há também um terceiro motivo, talvez o mais frequente,
que começa com a ilusão de ser capaz de desfazer o contrato no
momento certo, enquanto as coisas se mostrarem cada vez mais enredadas e complexas,
levando muitas “vítimas” a forçosamente continuar no trágico caminho começado
porque não há possibilidade de sair dele.
Em efeito, o inscrito na maçonaria que
se arrepende e queira reconciliar-se com Deus ao final de seus dias é impedido imperiosamente
pelos “irmãos”, talvez chamando com engano um falso sacerdote, que não poderá absolvê-lo
de seus pecados[1].
“Nada é impossível para Deus” (Lc 1,
37)
Nossa salvação hoje, em um mundo que escolheu
a apostasia, é juntar todas as energias espirituais ainda disponíveis para
implorar com fé a ajuda do Senhor, para que intervenha com poder para salvar o
mundo da autodestruição.
Frente à catástrofe iminente ou em ato, incluso as pessoas
que venderam a alma a Satanás não podem fazer outra coisa
senão ajoelhar-se e pedir solenemente perdão a Deus, para obter também frente à
Igreja Católica que traíram, a reconciliação e a paz.
Durante a história do povo eleito, muitas
vezes Deus Criador interveio para modificar o curso dos acontecimentos e
remediar a necedade do homem; na Bíblia muitos fatos iluminadores são descritos
para fazer-nos compreender que o Dono do mundo é Ele.
Hoje, como sempre, nos deixa livres
de atuar inclusive contra Sua Vontade, mas em um certo ponto se vê obrigado a
intervir para corrigir nossos erros e evitar a autodestruição. Chegamos ao
máximo da tensão entre dois blocos de potências contrapostas: a ditadura da
Coreia do Norte, satélite da China comunista, contra os E.U.A e seus aliados,
artificialmente alimentada por desafios arrogantes que podem chegar à ruptura. Em
efeito, não se trata de um enfrentamento entre exércitos contrapostos como na
segunda guerra mundial, que provocou milhões de vítimas, mas de duas ideologias
rivais que envolveram o Ocidente cristão e o Oriente marxista durante todo o século
XX.
Um novo conflito mundial provocaria a autodestruição
da humanidade: só o poder do Altíssimo e a Santíssima Virgem podem salvar-nos do
holocausto de uma guerra nuclear. A paz do mundo não se obtém com tratados,
conferências, marchas folclóricas, bandeiras arco íris, mas com a oração do Rosário,
a conversão dos corações e o retorno das almas a Deus: esta deveria ser a orientação unânime da Igreja Católica, e não mal-entendidos
e equívocos por parte de todos: Cardeais, Bispos, Sacerdotes e fiéis.
O grande sofrimento da Igreja, hoje,
é a divisão, o dualismo, a suspeita, as simpatias, a política, a direita, a esquerda,
a rivalidade entre os grupos etc., situações todas compreensíveis, mas é
necessário superá-las com sentido comum e caridade fraterna.
Um exemplo de perfeição nos propõe a
Virgem em suas numerosas aparições e em suas mensagens à humanidade, nas que
nunca se pronuncia acerca das orientações políticas, a exceção das aparições de
Fátima em 1917, quando falou contra o marxismo/leninismo, porque não é só um
movimento ateu, como também uma blasfêmia contra Deus e contra seu Filho Jesus,
uma das maiores calamidades infligidas às nações cristãs começando nessa data.
Se tem a amarga sensação de que, por causa
deste grave juízo expressado pela Virgem em Fátima, tem
surgido em algumas autoridades da Igreja Católica uma solapada oposição que
tem envolvido muitos cristãos no curso do século XX, culminando no Concílio
Vaticano II, com dúvidas sobre do texto do Terceiro Segredo, com o desprezo para
com as mensagens e com a atual apostasia etc.
A Virgem, em suas numerosas mensagens, não expressa
juízos políticos, mas se preocupa da conversão pessoal,
que não raro coincide também com a mudança de opiniões políticas e ideológicas.
A conversão total que Ela exige não se refere só à mudança do coração para a
Verdade Trinitária, como uma transformação radical da personalidade em relação a
Deus e ao próximo: é a experiência extraordinária que narram os protagonistas dos
clamorosos casos de conversão do ateísmo e da indiferença religiosa à vida da Graça,
que transforma a existência terrena em uma alva do Paraíso.
Marco
(Traducido
por Marianus el eremita)
Fonte: https://adelantelafe.com/estamos-viviendo-el-misterio-de-la-iniquidad/
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* Airton Vieira é autor de 500 anos de Reforma: um brinde!? (web) e tradutor de Sermões de São Vicente Ferrer: o Anticristo
e o Juízo Final (Martyria, 2018).
[1] O que não deixa de lembrar-nos do triste
desfecho de homens como Voltaire, que ao morrer miseravelmente tentou fazer com
que viesse um padre para confessá-lo, o que foi impedido pelos “irmãos”, que
não deixaram sequer o homem de Deus entrar em sua casa. ndt
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