sábado, 28 de abril de 2018

ESTRANHA-ME CATÓLICOS SEGUIDORES DE MITOS!



Airton Vieira
(tonvi68@gmail.com)

Permitam-me um pequeno desenrolar de uma ideia anterior[1], ainda que sob o risco de sofrer o mesmo destino do protomártir, sem a vantagem de seus méritos. E com isto pretendo encerrar esta minha espécie de óbolos, que já são bem escassos.

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Falava àquela ocasião do grande risco que corremos nestes tempos em que a sã doutrina já virou conto de fadas (cf. 2 Tim IV, 1-4), e isso à quase totalidade dos católicos. Tamanha a decadência, que os ídolos já se elevam aos cumes com direito à manchetes de jornais, horários nobres e superproduções. Daí a gravidade, para ficar em nosso contexto nacional hodierno, das afirmações megalomaníacas do anteriormente mencionado ex presidente[2], que segue falando, agora pela boca de seus adestrados psitaciformes e office boys, ou torcedores internacionais do mesmo time. Em uma ponta. Em outra, temos uma categoria de católicos que, ao modo de uma arquibancada de tênis-de-mesa, vão movendo-se ao ritmo a bola arremessada, para lá e para cá. Nada além de mais do mesmo.

Não faz muito e vimos surgir no horizonte uma nova investida inimiga na guerra cultural travada pela conquista das almas, cujo campo de batalha, desta feita, é o da linguagem, tão cara a ideólogos, populistas e toda uma plêiade de bons de papo. Muda-se a língua[3], muda-se o mundo, dizia alguém. Eis que então nesse mar de ilusões surge mirabolantemente um novo substantivo, com seus respectivos verbos e advérbios, tudo bem provido das etéreas substâncias mitológicas: a mitagem. Coisas e pessoas passam então subitamente a mitar. E mítica e imperceptivelmente o mito vai transmutando-se em ídolo, com direito a toda parafernália tecnológica, acadêmica e midiática como vassala. Com isso as vozes dissonantes, em que pese a farsa da liberdade de expressão, passam a conviver com o risco de se tornarem agora mitofóbicas, com direito à processo nas diversas instâncias judiciais e não poucas pancadas e sopapos democráticos.

Ainda que o tema seja “mitos” há de se trabalhar com exemplos concretos, como no artigo anterior, sob pena de também eu ser um golpista. Ei-lo então. Há pouco mais de um ano escrevia ao mais recente mito brasileiro, quase candidato à presidência desta querida e maçônica República, anunciando-lhe minha desadesão à sua possível futura candidatura. É razoavelmente provável que não tenha lido, o que não fará a mais mínima diferença. Para ambos. Contudo, dado o quadro em que se encontra este apesar dos pesares amado País em que foi-me escolhido pra berço, resolvi, sem maiores pretensões, ao menos expressar, com o direito que creio possuir, o motivo desta minha decisão, o que certamente a um católico que preze o significado deste termo, deverá ao menos tê-lo em alguma conta, obviamente não pelo ilustre desconhecido que escreve, mas pelo motivo em si, que não é de pouca monta, em que pese as opiniões em contrário, que também não serão poucas.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Pais de família protestam contra o ensino LGBT nas escolas



Tradução de Airton Vieira – Em 23 de abril passado, um movimento internacional de Pais de alunos de vários países do mundo anglo-saxão organizou uma “jornada de retirada” da escola para protestar contra a educação sexual com tendência LGBT, à qual são submetidos seus filhos nos colégios que estudam.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Massacre terrorista sem autoria intelectual nem natureza ideológica alguma

Atropello masivo en Toronto, Canadá.

Pelo menos dez pessoas morreram e quinze ficaram feridas em Toronto (Canadá), quando uma van subiu na calçada de uma das principais ruas da cidade e se dirigiu para um grupo de transeuntes, disse a polícia.


O autor do massacre é Alek Minassian, em quem as autoridades canadenses mantiveram um surpreendente silêncio nas 24 horas após o evento. Ninguém parece interessado na natureza ideológica do assassinato. Nem um único fato  que denuncie o perfil do assassino Minassian, nem uma única referência aos grupos radicais com que ele mantinha, nenhuma menção de possíveis contatos com redes jihadistas. Por outro lado, as autoridades norte-americanas se apressaram em descartar o terrorismo no múltiplo atropelo. Nós já sabemos, foi obra de um simples alienado. Mais um. Então, até a próxima carnificina.

Cardeal Burke: a situação é intolerável. Não só é possível como necessário criticar o Papa.


O que aconteceu na última entrevista com Eugenio Scalfari durante a Páscoa excede todo o tolerável", disse o Cardeal Raymond Leo Burke em uma entrevista com Ricardo Cascioli publicado em La nuova bussola quotidiana em 4 de abril.


"Que um ateu pretenda anunciar uma revolução no ensino da Igreja Católica, afirme falar em nome do Papa, e negue a imortalidade da alma humana e a existência do inferno provocou um tremendo escândalo, não só para muitos católicos, mas também para muitos leigos que respeitam a Igreja Católica e seus ensinamentos, ainda que não compartilhem"disse o cardeal norte-americano, um dos quatro signatários do dubia em 2016. Na verdade, a resposta da Santa Sé para a reação do escândalo que tem produzido em todo o mundo tem sido extremamente inadequada. Em vez de reafirmar claramente a verdade sobre a imortalidade da alma humana e do inferno, a negação limita-se a dizer que algumas das palavras citadas não são do Papa. Não diz que o Sumo Pontífice não concorda com as ideias errôneas e até mesmo heréticas expressas por essas palavras, nem as repudia por serem contrárias à fé católica. Jogar dessa maneira com fé e doutrina, no mais alto nível da Igreja, é justamente causa de escândalo entre os pastores e os fiéis".

quinta-feira, 19 de abril de 2018

O Sensus Fidei




Durante muito tempo, as pessoas simples, mesmo analfabetas, estavam bem formadas teologicamente. Era até um povo culto. Sim até certo ponto, havia um vulgar em muitos aspectos culto, embora pareça um paradoxo, embora fosse analfabetos e ignorantes em muitos assuntos. Em nossos Séculos de Ouro se dava o caso de que conheceriam melhor  mitologia antiga que muitas das pessoas cultas de hoje pelo que viram e ouviram nas comédias, ou assistindo a palestras públicas, como podemos ver em Don Quixote, que fazia pela noite em uma venda. O que faziam quando ficavam entediados se não sabiam ler e não tinham televisão?

Desde os tempos antigos, as mães incltiam a fé em seus filhos. Desde pequeno foram ensinados a orar e inculcou-lhes os rudimentos da fé, também ensinando História Sagrada, que era de conhecimento geral graças a transmissão de mãe para filho e a Bíblia em pedra que foram os  altares dos templos. E foi assim até em tempos muito recentes. Eu posso atestar isso por minha própria experiência. Eu nasci e fui criado no século XX, quando se estudar e se instruir era normal para a maioria, desde que eu aprendi a falar a minha mãe me ensinou as orações fundamentais, eu fui instruído nos fundamentos da doutrina e me contava histórias do Antigo Testamento e dos Evangelhos. Isto foi o habitual. Não é de se admirar que hoje, o trabalho das mulheres, que não é mau em si, ser encorajado, mas, quando a mãe tem que gastar mais tempo fora de casa inevitavelmente negligencia a educação de seus filhos.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Intervenções do cardeal Zen e Renzo Pucceti no Colóquio “Igreja Católica, aonde vais?”



Tradução de Airton Vieira

Mensagem de S.E. o cardeal Joseph Zen para o simpósio do dia 7 de abril em Roma

–Eminência, estamos em Hong Kong, mas em Roma está sendo celebrado um encontro, com o nome de Igreja, aonde vais? Estou seguro de que alegrará muito aos participantes que lhes dirija umas palavras de saudações.

–De acordo. Gostaria muitíssimo de participar, mas em vista de minha idade, decidi não viajar demasiado. Com minhas orações, com o coração, isso sim, estou convosco. Porque é um encontro que deveria ser do interesse de todo o mundo: Aonde vai a Igreja, nossa Igreja? A Igreja pela que Jesus se esforçou e padeceu. A Igreja na que gozamos de todas as graças do Senhor, e esperamos que nossa Igreja goze sempre de boa saúde.
–Eminência, sem dúvida os participantes apreciarão que lhes diga como vê a situação atual quanto à relação entre a Santa Sé e a China.
–Sim. Temos uma Igreja que é uma unidade, que em todo o mundo é uma grande família. Uma grande família com um centro, que é a Santa Sé. Então, a Santa Sé é muito importante, mesmo que o Papa insista em que se deva dar muita importância à periferia. Tanto o centro como a periferia são necessários. Agora bem, neste momento, nossa periferia (a China) atravessa grandes dificuldades. Então, mesmo que muitas vozes desta periferia não cheguem a fazer-se ouvir no centro, nós, que vivemos fora da China continental, naturalmente levamos em nossa experiência, em nosso coração, toda a China, ainda que estejamos sempre em contato. Consideramos que representamos a esta periferia. Temos um grande desejo de que haja mais comunicação entre o centro e a periferia. Porque, se se quer ajudar a Igreja da China, há de conhecê-la. Mas não me refiro a um simples conhecimento abstrato, baseado em números ou em livros. Há que ter vivido, e por isso a periferia não é substituível. O que esperamos, então, é que nossa voz possa fazer-se muita. Pelo contrário, nos desagrada que sejam escassas as vozes que chegam da periferia. Temos medo de que no centro não se tomem as decisões que sejam verdadeiramente uteis e contribuam ao verdadeiro crescimento da Igreja. Esta é uma preocupação importante, a falta de comunicação. E eu não digo que seja um grande professor, mas tenho muita experiência direta da China. Ensinei durante sete anos em seminários da China continental, da Igreja oficial. E constantemente vêm irmãos da China continental e nos contam como está a situação, e temo que essas vozes não consigam chegar ao centro.

terça-feira, 17 de abril de 2018

A democracia como religião


Foi Aldous Huxley em sua fábula futurista “Admirável Mundo Novo”, que sugeriu que o que chamamos de um axioma - quer dizer, uma proposição que parece autoevidente e por isso, aceitamos – pode ser criado para um indivíduo e para um ambiente determinado pela repetição, milhões de vezes, da mesma afirmação. Para este efeito -a gênese artificial de axiomas e dogmas – propõe o uso durante o sono, um mecanismo repetitivo de falar sem interrupção ao nosso subconsciente, capaz, durante horas, de receber e assimilar toda a mensagem.

Este projeto está, hoje, ao final de meio século, muito próximo da realidade, embora não sejam exatamente as mesmas técnicas, como o próprio Huxley enfatizou em seu "Retorno ao mundo feliz".

A realização mais importante neste sentido através de métodos de saturação mental pelos meios de comunicação de massa tem sido, em nosso tempo, o estabelecimento em uma escala universal do dogma-axioma da democracia. A partir dessa noção, em seu sentido individualista e majoritário, foi possível fazer a pedra angular da mentalidade contemporânea. Ou seja, o que Kendall e Wilhelsenn chamaram de “ortodoxia pública” do nosso tempo. Esta expressão significa para esses autores, o conjunto de bases conceituais ou fé em que se assenta cada sociedade histórica, elementos que são, por sua vez, as ideias-forçcas para os seus membros e pontos de referência para ser entendido na mesma língua e convergir, em último extremo, em alguns axiomas e dogmas que somente os marginalizados ou extravagantes exigiriam questionar.

A consolidação do dogma da democracia e sua axiomática tem sido, é claro, obra de muitos anos, mas é agora que ela conhece sua validade universal. Já no final dos anos 1920, assumiu-se na linguagem política espanhola, que, através da ditadura do general Primo de Rivera, era obrigado a “retornar à normalidade constitucional (ou democrática). Hoje assume-se para o mundo todo, desde a Europa mais culta até a selva africana, que apenas uma eleição “livre” (de sufrágio universal) pode justificar um governo ortodoxo. Qualquer outro governo receberá o rótulo de “ditadura” e convocarão cruzadas contra ele como um violador de “direitos humanos”, que constituem a apelação final, que em outros tempos ficava no juízo de Deus Único e Trino. (Há, naturalmente, certas tolerâncias ou concessões em favor da perfeição universal do quadro: o mundo soviético ou sovietizado e os inúmeros sultanatos árabes desconsideram qualquer consulta à “opinião pública” e eles se autointitulam "popular" ou "democrático" para gozar de suficiente imunidade”.

sábado, 14 de abril de 2018

DE ETÍLICO A ETÉREO: MAIS DO (PERIGOSO) MESMO!

Resultado de imagem para fotos lula missa marisa 7/04/2018




Airton Vieira
(tonvi68@gmail.com)

Nota: a uma melhor compreensão do texto, sugere-se a leitura das notas de rodapé com as devidas indicações, bem como a compreensão dos termos pouco usuais.

Se me perguntam digo sim, segue vigente o que escrevi no passado 15 de maio[1], até que a história dê prova em contrário daqui a poucos meses; queira Deus.

O que vem abaixo não é estranho à humanidade: data de sua expulsão edênica. Aliás, foi por coisas deste tipo que fomos expulsos. E de lá pra cá pouco ou nada mudou...

Hoje já poderíamos estar celebrando uma autêntica Missa de 7º dia. Sábado passado vimos “entrando em cana” um outro condenado na famigerada “Operação Lava Jato” realizada pelo judiciário brasileiro. À diferença dos que o antecederam, ali estava um ex presidente da República. O primeiro. Nenhuma novidade. Mas houve um fato... até o presente pouco ou nada captado[2] especialmente entre as parabólicas católicas [tanto pior], público alvo prioritário mas não exclusivo deste artigo.

Embora fosse a primeira vez que ouvisse da boca do próprio condenado o disparate abaixo, este não era inédito, como bem apontou a matéria acima. De forma sistematizada e crescente, o carismático personagem vem, também ele, sofrendo mutação físico-metafísica: de concretamente etílico passa a abstratamente etéreo, ainda que mantenha a etilidade disfarçada em garrafinhas de água mineral. Isso o demonstrou em alto e bom tom em uma [dentre outras] frase de efeito – uma espécie de mantra psicodélico – comum em muitas inteligências esquizofrênicas e psicóticas, pronunciada pela última vez em uma suposta homenagem religiosa à sua recém falecida mulher. O humano e muito concreto senhor ex presidente, oficialmente atual delinquente, revirando de seu túmulo não a defunta mas o Estagirita[3] ao virar de pernas ao ar seu princípio da não contradição, disse (a palavra seria berrou) que ele já não é mais ele: é agora uma ideia[4]. Panteisticamente diluída em seus seguidores ao modo de metástase. A conclusão é simples: vemos pelo turvo e avermelhado horizonte brasileiro uma nova seita político-messiânica insurgir-se com seu novo anticristo, outra das muitas prefigurações do último e definitivo, que pelo andar da carruagem não demora.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Assim começou a comunhão na mão


 


Tradução de Airton Vieira – Um sacerdote realizou o mais profundo estudo de como se concedeu a distribuição da comunhão na mão que Paulo VI e a maioria dos bispos rejeitaram.
Começou com um indulto que era dirigido somente àquelas dioceses onde se cometiam abusos. Em seguida a “moda” se estendeu. Mas a recepção da comunhão de joelhos e na boca é lei universal da Igreja, e a forma consuetudinária atual é só o fruto de uma concessão.
Dom Federico Bortoli é atualmente pároco da paróquia de Sant’Andrea Apóstolo em Acquaviva, diocese de San Marino Montefeltro. Também é Chanceler do Bispo, Vigário Judicial e assessor eclesiástico da União Cristã de Empresários Executivos. Na Corte Eclesiástica Flamínio de Bolonha, é o Defensor do Vínculo. O livro A distribuição da comunhão na mão[1], publicado em 22 de fevereiro passado, é sua tese doutoral em Direito Canônico. É sobre este importante tema que o entrevistamos.

O documento de referência sobre a distribuição da Sagrada Comunhão na mão é a Instrução da Sagrada Congregação para o Culto Divino Memoriale Domini (29 de maio de 1969, adiante MD), comissionada por Paulo VI.  Pode, em resumo, dizer-nos por que nasceu este documento e que informação contém? 

O documento nasceu porque, nos anos imediatamente posteriores ao Vaticano II, o uso da Comunhão na mão se havia estendido em alguns países. Se tratava evidentemente de um abuso litúrgico, que tinha suas raízes naqueles países onde já se haviam registrado problemas doutrinais relacionados com o mistério da Sagrada Eucaristia: Bélgica, Holanda, França e Alemanha. A Santa Sé, não podendo deter este abuso, decidiu consultar a todos os bispos sobre o assunto. Esta decisão de Paulo VI já nos permite compreender a importância do tema. Digo isto porque algumas pessoas pensam que se trata de um aspecto marginal e sem importância. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Simpósio Igreja Católica, aonde vais? Intervenção de Marcello Pera





Tradução de Airton Vieira – Texto da exposição de Marcello Pera[1] em Roma durante o encontro Igreja Católica, aonde vais?, em 7 de abril de 2018. Discurso improvisado, de estilo claramente espontâneo e coloquial, transcrito a partir da gravação.

Obrigado. Boa tarde a todos. Me pediram uma intervenção muito breve há dez minutos. Procurarei ser o mais breve possível. Os temas que já vêm sendo debatidos aqui são muito complexos e mereceriam todos um bom aprofundamento, mas me limitarei a fazer algumas breves observações. Para começar, considero de bom augúrio que me convidassem a falar, e recordar o cardeal Caffarra, que era um muito querido amigo meu, como todos vós. Também tem sua importância porque sou o terceiro a tomar a palavra, mas assim como Brandmüller é cardeal, direi que meu amigo Burke também é cardeal, e eu que sou o terceiro poderei portanto esperar seguir pelo mesmo caminho. Dizia o cardeal Caffarra que a situação da Igreja é confusa, que há que ser cego para não vê-la. Os cardeais Burke, Brandmüller e muitos outros têm acrescentado um novo adjetivo: que a situação é bastante confusa, e muito grave, e muito perigosa. Estou de acordo com eles.