Tradução: Gercione Lima
Há dois anos atrás, quando essa história veio a público, perguntei a
alguns amigos e colegas jornalistas, "este é o tiro de misericórdia em
Pell?" Na época, é claro, seu nome não foi sequer ser mencionado. Mas na
medida em que os eventos foram se desenvolvendo no que mais tarde viria
a ser referido como "Vatileaks II," ou seja novas alegações na mídia
sobre relatórios de má gestão financeira no Vaticano, ficou então em
aberto se Pell, como o homem colocado no poder para resolver as coisas,
estaria ou não no olho da mira.
Na época, já pairava no ar uma impressão de que Pell, durante o
mandato de sua investigação sobre o banco do Vaticano (também conhecido
como o Instituto para as Obras de Religião, ou IOR), tinha rapidamente
se tornado uma
persona non grata. Quando ele assinou a Carta dos
13 cardeais expressando preocupação sobre o modo como o Sínodo estava
sendo conduzido - algo que o próprio Francisco tomou como algo pessoal -
sua queda em desgraça só se acelerou.
O clima parecia ter se tranquilizado por um tempo, especialmente
depois que o próprio papa Francisco mandou interromper a auditoria que
ele estava fazendo no banco do Vaticano em setembro do ano passado.
E então, esta semana, tudo explodiu. Alegações de que Pell esteve
envolvido em casos de abuso sexual há algumas décadas e que haviam
emergido há dois anos atrás agora passaram de uma investigação a
indiciamento oficial. De acordo com fontes que conhecem o cardeal
australiano, a mídia em sua terra natal sempre foi hostil para com ele e
por muitos anos. Além do mais, ele não é bem-amado por uma parcela
significativa do clero de lá. De acordo com a própria resposta de Pell,
ele está ansioso para finalmente ter seu dia no tribunal e lutar contra
as acusações que ele categoricamente nega.
No entanto, em um artigo de Nancy Flory no
The Stream, todo o assunto pode ser caracterizado como uma "caça às bruxas", projetado para destruir a reputação de Pell:
"Pell jamais conseguirá obter um julgamento justo", escreveu a
colunista australiana Angela Shanahan. Ela está descrevendo a " caça às
bruxas promovida pela mídia" que vem perseguindo o cardeal George Pell
por dois anos. Novas e vagas acusações - de "históricos crimes sexuais" -
foram apresentadas contra o cardeal Pell ontem pela manhã. Cardeal Pell
repetidamente negou as alegações de abuso sexual feitas contra ele.
Ainda assim, a mídia na Austrália não se cansa de repetir alegações
sobre a culpa do cardeal. Eles imprimiram informação vazadas das
investigações contra Pell e afirmaram que um indiciamento era iminente.
Além do mais, um livro negativo sobre o cardeal Pell (Cardinal: The
Rise and Fall of George Pell) saiu em maio.